Quando Pitty subiu ao palco do Festival MADA, em 2003, ainda estava longe de se tornar um dos principais nomes do rock brasileiro. A apresentação, realizada em Natal, marcou sua estreia em festivais e aconteceu pouco antes de a artista conquistar projeção nacional. Mais de duas décadas depois, a história ajuda a ilustrar uma característica recorrente na trajetória do evento: receber artistas em momentos decisivos de suas carreiras.
Criado em 1998, o MADA atravessou diferentes ciclos da música brasileira e acompanhou o surgimento de artistas, cenas e movimentos que ajudaram a moldar a produção musical do país nas últimas décadas. Mais de 700 artistas já passaram por seus palcos ao longo de quase três décadas de história.
Para Jomardo Jomas, fundador e diretor do festival, essa relação com a descoberta e a circulação de novos nomes faz parte da identidade construída pelo evento desde suas primeiras edições:
“Desde o início, o MADA sempre teve um olhar para a música brasileira com muita curiosidade e sensibilidade. Ao longo desses 28 anos, tivemos o prazer de acompanhar o surgimento de muitos artistas no festival que depois conquistaram o país, e continuamos mantendo sempre esse olhar atento para os novos nomes que renovam e turbinam a música brasileira”, destaca Jomardo Jomas.
Pitty é um dos casos mais emblemáticos. Em sua primeira passagem por Natal, a cantora integrou uma programação que reuniu nomes como O Rappa, Nação Zumbi, Eddie, Autoramas e Frejat. Pouco tempo depois, sua carreira alcançaria dimensão nacional, transformando-a em uma das artistas mais influentes de sua geração.
Outro exemplo é Baco Exu do Blues. Antes de ocupar os principais festivais do país e se consolidar como um dos nomes mais relevantes da música brasileira contemporânea, o artista baiano realizou no MADA seu primeiro show em um grande festival.
A história inclui ainda nomes como Djonga, que já mencionou publicamente a importância do circuito de festivais para sua projeção nacional, além dos Detonautas, cuja passagem pelo evento aconteceu em um momento importante de consolidação da banda. O mesmo olhar que aproximou o festival de artistas em ascensão também ajudou a construir encontros marcantes para a música brasileira ao longo dos anos.
Foi o caso da apresentação de Di Melo e Gerson King Combo no mesmo palco, em 2014, da passagem do Cansei de Ser Sexy em seu único show realizado no Nordeste e da presença de artistas ligados a movimentos que ajudaram a renovar a cena independente brasileira nos anos 2000. Em diferentes momentos, o MADA acompanhou transformações que atravessaram o rock, o rap, a música eletrônica, o reggae e as novas vertentes do pop nacional.
“O Festival MADA se estabeleceu como uma plataforma para que artistas encontrem novos públicos, e é interessante perceber que isso se manteve como uma característica do festival ao longo das décadas. Ao buscar manter um olhar atento para a cena independente e apostar em novos movimentos da música brasileira, o MADA acabou acompanhando trajetórias que hoje ocupam lugar de destaque no país. Trabalhando há dez anos no festival, percebo que isso nunca foi coincidência, mas resultado de uma curadoria construída com atenção, pesquisa e escuta”, afirma Pedro Barreira, diretor artístico do festival.
A edição de 2026 mantém essa lógica de encontros entre artistas consagrados e nomes que ajudam a desenhar os próximos movimentos da música brasileira. O lineup já reúne nomes como Marina Sena, Emicida, Zeca Pagodinho, Gaby Amarantos, Duquesa, Luiz Lins e Tribo de Jah convida Célia Sampaio, ao mesmo tempo em que abre espaço para projetos e artistas em ascensão, como Bia Soull, NandaTsunami, SouRebel + Núbia, Africanoise e Cabra Guaraná.
Mais do que uma sequência de coincidências, a trajetória desses artistas ajuda a contar a própria evolução da música brasileira. Em quase três décadas de história, o festival acompanhou mudanças nos hábitos de consumo, na circulação de artistas e nas formas de descoberta musical, sem perder de vista a atenção aos novos movimentos da cena brasileira.
“Mais do que acompanhar a história da música brasileira, o MADA se orgulha de fazer parte dela. Seguimos acreditando na força dos encontros, na diversidade das cenas e na importância de abrir espaço para artistas que ajudam a construir o presente e o futuro da nossa música”, diz Jomardo.
Em 2026, o Festival MADA retorna à Arena das Dunas, em Natal, nos dias 16 e 17 de outubro. Quase três décadas depois de sua criação, o evento segue olhando para a música brasileira da mesma forma que começou: atento aos artistas, às cenas e aos encontros que continuam escrevendo novos capítulos dessa história.
SERVIÇO | Festival MADA 2026
Datas: 16 e 17 de outubro de 2026
Local: Arena das Dunas
Av. Prudente de Morais, 5121 – Lagoa Nova, Natal (RN)
Ingressos: https://shotgun.live/pt-br/festivals/festivalmada
Atrações confirmadas:
Marina Sena, Emicida, Zeca Pagodinho, Gaby Amarantos, Tribo de Jah convida Célia Sampaio, Luiz Lins, Duquesa, Baile da Amada, Sourebel + Núbia e outros nomes da música brasileira.
