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WME 2026 encerra décima edição com shows lotados

A histórica décima edição do Women’s Music Event (WME), maior plataforma dedicada às mulheres da indústria musical no Brasil, encerrou sua programação no último final de semana, consolidada como o principal hub de capacitação, networking e visibilidade para profissionais da música. Realizado entre os dias 18 e 21 de junho, o evento contou com a presença de mais de 15 mil pessoas entre as festas de lançamento, na Heavy House, os dois dias de conferência na Biblioteca Mário de Andrade e os três dias de shows gratuitos na Praça Dom José Gaspar, que culminaram com lotação máxima no domingo (21) quando milhares de fãs de hip hop ocuparam a praça para ver as apresentações da DJ Vivian Marques e das rappers Stefanie, madrinha da edição, e Nanda Tsunami.

O encontro deste ano ocupou alguns dos espaços mais emblemáticos do centro de São Paulo. A programação teve início na quinta-feira, 18 de junho, com a festa de abertura na Heavy House. A noite de estreia contou com o painel “Bora falar de Rock Doido?”, mediado por Claudia Assef com a participação de Treme Keila, jogando luz sobre o fenômeno do treme e as raízes rítmicas de Belém do Pará, seguido por apresentações de Nina Maia, Anny B, Cremosa Vinil e Mari Rossi.

Na sexta-feira (19) e no sábado (20), a Biblioteca Mário de Andrade sediou os painéis, oficinas e atividades. Grandes nomes do mercado cultural, da música e da gestão pública se dividiram entre as salas. Um dos destaques da sexta foi o debate focado em “Viver de Música e Políticas Públicas”, que reuniu Juliana Benicio, Sâmia Bomfim, Thamires Cordeiro e Marília Marton. Outra discussão girou em torno do ecossistema global do funk, com painel formado por Gabriela Caramigo (Beatport), Alana Leguth (Kondzilla) e Izabel Marigo (ONErpm), mediado por Renata Prado, da Frente Nacional de Mulheres do Funk.

Assinada por Heineken, a cerveja oficial do evento, o painel “A Curadoria como Guardiã da Autenticidade” trouxe uma discussão precisa e necessária sobre como a curadoria humana consegue furar bolhas para apresentar o novo.

Um dos pontos altos da sexta foi a dinâmica “Olhar 43”, apresentada pela Altafonte, que reuniu as experts Roberta Martinelli, Mônica Brandão, Tulipa Ruiz e Karol Conká para uma audição coletiva de demos, com presença das artistas. A ação lotou a Sala Oval da Biblioteca e arrancou palmas da plateia e falas precisas das artistas julgadoras.

Os finais de tarde levaram público à Praça Dom José Gaspar para assistir a shows gratuitos. Na sexta-feira, o público se emocionou com a MPB das cantoras Catto e Bruna Black, que levaram, respectivamente, a mistura de uma MPB com um indie cheio de poesia na linda voz de Catto, e a soul music regional, que terminou em São João, com a potência de Bruna Black.

No sábado, na praça, o destaque foi o rock das bandas The Monic e Mercenárias, além de painéis na Biblioteca, como o Q&A exclusivo com a madrinha da edição, Stefanie, e o bate-papo especial que recontou o “Storytelling dos dez anos do WME”, liderado pelas fundadoras Monique Dardenne e Claudia Assef.

Além deste, no concorrido Q&A exclusivo, a artista Linna da Quebrada foi entrevistada por Claudia Assef e Mônica Brandão (Altafonte). O painel “De Grão em Grão” debateu soluções para romper barreiras e o funil de liderança técnica nos bastidores com a presença de Fernanda Takai (UBC), Karla Megda (SYMPLA), Luiza Thesin (BMA) e Renata Gomes (One RPM).

Na Sala de Oficinas, o foco foi a capacitação técnica imediata, destacando-se a atividade sobre os impactos reais da Inteligência Artificial no mercado musical, conduzida por Veronyka “Travahacker” Gimenes, unindo vanguarda e autonomia prática das profissionais.

Ainda na programação da biblioteca, um dos pontos altos foi a Sala Imersiva, onde a experiência sonora ganhou um formato inovador e intimista durante o final da semana. O espaço foi desenhado para receber pequenos grupos de dezesseis pessoas por sessão que, deitadas confortavelmente no chão, puderam mergulhar nas frequências dos sets. Na sexta-feira, essa jornada sensorial foi conduzida pelas DJs Mari Rossi, Anazú e Paula Chalup, enquanto o sábado ficou sob o comando de DJ Ana CMP, DJ Bby Hitz! e Sue (Live) transformando a pista tradicional em um ambiente de profunda imersão e vanguarda eletrônica.

O encerramento oficial aconteceu no domingo (21) na Praça Dom José Gaspar. O público acompanhou a discotecagem da DJ Vivian Marques. Em seguida, as batidas e rimas características da madrinha Stefanie tomaram o espaço, com tom político e a participação especial da pioneira do rap Ieda Hills e da cantora de jazz e indie soul, Flavia K. A última atração da noite era aguardada por um público gigante, que chamava pelo nome da artista. Com DJ, dançarinos e backing vocals, Nanda Tsunami fez seu show teatral com direito a troca de roupas, muitas coreografias, letras afiadas e um público de milhares de pessoas cantando todas as letras em alto e bom som. Durante o show, ela compartilhou com seus fãs que estava partindo para sete shows na Europa e que a apresentação no WME foi o melhor presente que ela poderia ter compartilhado com os fãs antes de estrear no exterior.

O WME Awards é a próxima grande ação que a plataforma promoverá, mantendo a tradição anual da única premiação dedicada, exclusivamente, às mulheres da música no país.

“Estamos realizadas com esta edição de 10 anos. Recebemos um público vindo de muitas cidades, inclusive uma forte presença de mulheres do Norte e Nordeste. Sentimos que o WME realmente se tornou uma entidade, capaz de furar bolhas e levar autoestima para mulheres que trabalham com música em diferentes profissionais dessa engrenagem”, diz Claudia Assef, uma das criadoras do WME. “E, afinal, autoestima, conhecimento e bons contatos são os motores para fazer com que elas se posicionem no mercado e consigam pagar seus boletos com música. Para nós, esse é o legado mais importante que o WME pode deixar”, completa Monique Dardenne, sócia fundadora da plataforma.

Fotos: Mariana Smania

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