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Por que gravadoras estão apostando em Roblox e Fortnite?

Durante décadas, a principal experiência visual de um lançamento musical foi o videoclipe. Era ali que artistas apresentavam uma nova estética, construíam personagens, lançavam tendências e definiam a identidade visual de uma era. Hoje, porém, algumas das maiores gravadoras do mundo estão apostando em um caminho diferente. Roblox e Fortnite deixaram de ser apenas plataformas de entretenimento para se transformar em espaços onde artistas criam experiências, vendem produtos e mantêm fãs conectados muito além dos três ou quatro minutos de uma música.

A mudança já pode ser vista em iniciativas como a parceria entre a Universal Music e o Roblox e no crescimento do Fortnite Festival, que transformou artistas como Sabrina Carpenter em experiências interativas com músicas, figurinos, desafios e participação ativa dos jogadores. Em vez de apenas assistir, o público passa a explorar, interagir e retornar ao universo daquele artista.

Para o produtor musical JESTFLY, a transformação acontece porque a indústria começou a olhar para uma métrica diferente. “Durante muito tempo o objetivo era fazer alguém apertar o play. Hoje o desafio é fazer essa pessoa permanecer. Plataformas como Roblox e Fortnite conseguem criar uma relação muito mais longa entre o público e o universo de um artista”, analisa.

A diferença aparece até na forma como essas empresas medem sucesso. Enquanto plataformas de vídeo continuam focadas em visualizações, ambientes como Roblox priorizam retenção, tempo médio de sessão e frequência de retorno. O objetivo já não é apenas atrair alguém por alguns minutos, mas criar razões para que ele volte no dia seguinte.

Isso ajuda a explicar por que gravadoras passaram a enxergar esses ambientes menos como videogames e mais como extensões das suas estratégias de lançamento. O fã não entra apenas para ouvir uma música. Ele participa de eventos, desbloqueia conteúdos, interage com outros usuários e passa a fazer parte de uma comunidade construída em torno daquele artista.

O videoclipe continua importante, mas seu papel parece estar mudando. Em vez de representar o destino final da experiência visual, ele começa a funcionar como uma porta de entrada para universos maiores. Para JESTFLY, essa transformação revela uma mudança silenciosa na forma como a indústria passou a enxergar o sucesso. Se durante anos a disputa era por visualizações, agora a atenção parece ter se tornado o ativo mais valioso. Talvez a pergunta já não seja quantas pessoas assistiram a uma música, mas quanto tempo elas decidiram passar dentro dela. “Se durante anos a indústria disputou cliques, agora ela parece disputar presença”, conclui.

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