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“Baobá”: Zóio 3D discorre sobre o respeito à ancestralidade africana em novo audiovisual

“Baobá” é o quinto single do segundo disco solo de Zóio 3D e acaba de ganhar videoclipe com direção de Fernando Policeno, da Liderativo Produções. A letra com críticas aos colonizadores foi contextualizada na ilustração do cineasta e mostra a ligação entre o passado de luta e resistência preta, que se consagra com as conquistas do povo preto no presente. O vídeo está disponível no canal do selo Humkuartu Entretenimento.

Segundo o professor de história especialista e doutorado em África, Thiago Pestana, “A Baobá surge não só como uma árvore sagrada, mas sobretudo como uma árvore viva com ancestralidade bem marcada com as rodas entorno e inclui os povos indígenas que são parte fundamental para os pilares da cultura brasileira. A presença das mulheres pretas com suas joias também são destaque, pois são representadas como forras, ou seja, mulheres livres e rainhas seja por uma tradição real ou também abre espaço para entendimento das mulheres como rainhas, atributo pelo qual todas elas deveriam ser tratadas com respeito e admiração pela classe masculina que pautada no patriarcado segue com ações feminicidas. Percebi a característica do iorubá em tudo, até na presença das Iyábàs no clipe, ou seja, as Mulheres Òrìṣàs e sem nenhum exagero ou distorção religiosa. Vi um clipe de um homem branco da periferia que através do rap deixa sua mensagem descontente com o que os colonizadores fizeram e achei interessante a parte que eles estão sendo dominados por uma insurreição preta. O uniforme dos soldados me levou a pensar na Revolta de São Domingos quando o Haiti eliminou a presença francesa e sua dominação em seu país”.

Para Zóio 3D, o novo trabalho audiovisual chega com muito posicionamento e busca pelo resgate da autoestima e história do povo negro e indígena. “O Rap é música de mensagem, precisamos e devemos circular o conhecimento e dar informações para que uma nova geração se nutra de educação através da música”, discorre o MC. A faixa contou com produção executiva de André Sagat, produção de Beatmonk e participação de Diego Malane no refrão.

A trajetória artística de Zóio 3D começou no final dos anos 80, influenciado pelas festas black e pelos sons do Public Enemy e dos Racionais MC’s, que acabaram despertando sua paixão pelo hip hop. Foi quando fundou o Grupo 3D Hip Hop formado por Lady K e os B Boys Paulo e Negão. Juntos fizeram parte da coletânea Espaço Rap com a faixa Primeira Vista e lançaram o álbum Nem Tudo que Parece Ser É. Com o grupo Troca de Rima, lançou também o álbum O Chamado. Já como artista solo lançou o disco Paz e Bem e muitas parcerias com outros artistas em singles e clipes.

Destaque para “Ruim de Cair”, com a rapper Cris SNJ, e “Sua Canção”, com o cantor Pop Black. As duas faixas contam com audiovisuais dirigidos por Vrass77, circularam em canais de TV como Multishow, BIS, Woohoo, Music Box Brazil e juntos acumulam mais de 40 mil visualizações. Como prévia do disco recém-lançado Até Depois do Fim, o rapper lançou “Liberdade”, um feat com Peso Duplo e uma das lendas do rap nacional Duck Jam. A faixa, com produção do pastor Ton, fala sobre a vida pós-pandemia e a necessidade de celebração com estética low rider e participações de outros artistas da cena underground como a rapper Freeda e os membros do grupo QDL Japão e LA. Também “Imparável”, single que contou com clipe gravado na Espanha. Saiba mais sobre a trajetória do artista nas redes sociais e plataformas digitais.

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