sexta-feira, junho 5, 2026

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Orgulho Latino se torna moeda de influência. Bad Bunny, Wagner Moura e Liniker não nos deixam mentir

Esqueça o complexo de vira-latas. Se durante muito tempo a fórmula para o sucesso e engajamento foi adaptar o local aos padrões norte-americanos ou europeus, cada vez mais sustentar as raízes e traços culturais latinoamericanos é algo comum entre os recentes fenômenos culturais.

Da moda à música, passando pelo cinema, a expressão cultura latina está no pódio. “Em um universo digital saturado, o que cria conexão real é a originalidade. Marcas e artistas que abrem mão de suas raízes para aderir a uma estética fabricada, estão perdendo espaço. Não só na América Latina mas no mundo inteiro. As narrativas estão mudando”, explica Caroline Campos, CMO da LOI Global, agência de marketing de influência especializada em conectar marcas, talentos e creators para desenvolver campanhas autênticas e estratégicas.

Música

O maior exemplo atual é o porto-riquenho Bad Bunny, o Benito, como é conhecido pelos fãs. O cantor que desembarcou em terras brasileiras para shows esgotados em São Paulo alcançou uma vitória histórica no Grammy e lidera o ranking global do Spotify sem nunca ter cantado em inglês. Na música brasileira temos Anitta, apesar de entoar alguns singles em inglês, foi a estética da periferia brasileira, da favela e do funk, que levou a dona de “Envolver” ao Top 1 Global do Spotify e fechar o ano com nada menos que 1 bilhão de views no Spotify. Foi também exaltando o Brasil, vestindo as cores da nossa bandeira e passeando pelas ruas de São Paulo que Bruno Mars virou case de engajamento entre marca e ídolo, com mais de 10 datas esgotadas.

Quem também se valeu da conexão com a cultura latina, especialmente brasileira, foi a britânica Dua Lipa. Em passagem pelo Brasil no ano passado, a cantora viveu intensamente as noites paulistas e cariocas, além de ir a festivais, bares, praias e restaurantes, rendendo a ela engajamento e trending topics no X.

Outro exemplo brasileiro é João Gomes, representando o nordeste, se vestindo de vaqueiro e exaltando a cultura local do sertão que o tornou o único no TOP 50 Global do Spotify cantando piseiro.

É também impossível falar de cultura latina sem falar do reggaeton, o ritmo tem alcançado um sucesso estrondoso mundialmente, inclusive no Brasil. Em terras brasileiras, Karol G, Rosalia esgotaram ingressos e preencheram arenas com shows solo do ritmo de raízes caribenhas.

Beleza

À primeira vista, a marca Sol de Janeiro pode parecer mais uma marca brasileira de cosméticos, com as nossas cores características e produtos que carregam o nome do Brasil. No entanto, a marca que se tornou a mais vendida da Sephora, ultrapassando a Rare Beauty de Selena Gomez, é americana, fundada em 2015, inspirada na cultura brasileira.

Cinema

Se houve um momento em que o cinema brasileiro foi visto como irrelevante, já não lembramos mais. É impossível não se lembrar da repercussão quando “Ainda Estou Aqui” ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025. O engajamento em prol do filme gerou até mesmo discussões de como a premiação tem sido influenciada pelo barulho das redes sociais. A bilheteria de filmes brasileiros cresceu 197% entre maio de 2024 e maio de 2025, segundo dados da Ingresso.com. E consolidando a narrativa, o longa brasileiro “O Agente Secreto”, estrelado por Wagner Moura, recebeu 5 indicações ao Oscar. A campanha pelas produções brasileiras continua.

Moda

A moda brasileira também tem ganhado destaque. Se alguém via as estampas coloridas como chamativas demais, no Brasil e fora dele a FARM Rio tem se destacado como um dos maiores cases de sucesso recente. A essência carioca nas roupas coloridas carrega raízes brasileiras e veste Beyoncé e Taylor Swift, com loja em Nova Iorque. O fenômeno Brasil Core na moda é um exemplo de ouro de como a brasilidade virou tendência.

Redes Sociais

Celebrar a cultura local tem ganhado espaço até mesmo nas discussões das redes sociais. Basta algum português questionar a cultura brasileira para vermos os brasileiros defendendo o Brasil contra o que apelidaram de Guiana Brasileira.

Para a especialista da LOI, é impossível dissociar esses movimentos do contexto em que estão inseridos. “Ao analisar esse fenômeno, é fundamental considerar o ambiente sociocultural. Em um cenário global de transformações e contrastes de valores, a cultura e a identidade nacional passam a ocupar um papel de conexão e pertencimento, funcionando como pontos de união. Isso influencia diretamente a forma como as pessoas se relacionam com os fenômenos pop”, explica.

“Estamos diante de uma oportunidade para marcas brasileiras que querem se destacar, vivemos o momento perfeito para elas elevarem a narrativa de suas raízes com orgulho e temos cases evidentes de sucesso de marcas que já estão fazendo isso, como Nubank, Farm, Havaianas, Granado, entre outras”, explica Caroline.

Como mostram a música, o cinema, a moda, a beleza e as redes sociais, o orgulho latino deixou de ser apenas uma expressão cultural para se tornar um verdadeiro ativo de influência na creator economy. “Em um cenário em que autenticidade é o novo motor de relevância, marcas e artistas que abraçam suas origens constroem conexões mais profundas, engajamento orgânico e impacto global. A cultura local não é mais um nicho, é o centro das narrativas que movem audiências, tendências e resultados. Em 2026, quem entende esse movimento não apenas acompanha o mercado: lidera a conversa”, finaliza a especialista.

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