“Gostosa” é uma canção sobre a beleza de olhar uma mulher sem pressa de consumi-la. Em vez da objetificação, Luz Ribeiro propõe a contemplação. O refrão “Divagar, divagarinho que o mundo para um tiquinho pra te contemplar” convida a desacelerar o olhar e imaginar outras possibilidades de desejo, onde o amor nasce da admiração, da escuta e da presença. Ouça nas plataformas.
Com participação especial de Bia Ferreira, a faixa celebra os afetos entre mulheres a partir da experiência afetiva de uma mulher negra, bissexual e periférica. A palavra que dá nome à música, tantas vezes usada para reduzir corpos femininos a objetos de consumo, é recuperada como elogio, reconhecimento e encantamento. Aqui, “Gostosa” é quem conhece saberes ancestrais, cultiva afeto, cria mundos e transforma quem está por perto.
A letra atravessa imagens de ancestralidade, natureza e cotidiano para construir uma declaração amorosa que foge dos clichês românticos. “Sabedora de saberes milenares, te oferto meus mares” e “um sonho todo pretinho, te ver pertinho” desenham um encontro em que o amor é também território político: imaginar futuros possíveis para corpos negros que historicamente tiveram seus afetos silenciados.
A produção musical é assinada por Felipe Parra, parceiro de longa data de Luz Ribeiro e também responsável pela produção do álbum Poeta Esquema Novo. A faixa conta ainda com mapa de voz de Mai Guimarães, que amplia a dimensão sensível dos arranjos vocais, e percussão de Maurício Badé, cuja presença imprime camadas rítmicas que atravessam a canção.
“Gostosa” antecipa o lançamento de ÚMIDA, segundo álbum musical de Luz Ribeiro, com estreia prevista para setembro. O disco mergulha nas múltiplas formas do amor, do desejo, da libido e das intimidades entre mulheres, reunindo outras participações especiais que ampliam a potência do projeto e reafirmam o diálogo da artista com importantes vozes da música brasileira contemporânea. Em ÚMIDA, a sensualidade deixa de ser espetáculo para se tornar linguagem de afeto, liberdade e imaginação.
