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No Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, APAN destaca cinco cineastas que transformam vivências negras em potência no audiovisual

Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reconhece a luta histórica das mulheres negras contra o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais, além de valorizar suas contribuições para a cultura, a política, a ciência e as artes em toda a América Latina e no Caribe. Para marcar a data, a APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro) reúne cinco obras dirigidas por cineastas que, por meio de diferentes linguagens e narrativas, reafirmam a potência criativa das mulheres negras e sua contribuição para o fortalecimento do audiovisual brasileiro.

No audiovisual, mais do que ampliar a representatividade nas telas, as mulheres negras têm impulsionado uma transformação no cinema brasileiro. À frente da direção, do roteiro, da produção e da pesquisa, essas profissionais desafiam estruturas historicamente excludentes, constroem novas narrativas sobre a população negra e ampliam a diversidade de olhares no setor. Com obras que circulam por festivais nacionais e internacionais, plataformas de streaming e salas de cinema, elas consolidam um audiovisual mais plural, inovador e conectado à realidade do país.

Ao colocar mulheres negras como protagonistas, diante e atrás das câmeras, essas cineastas rompem estereótipos, preservam memórias, valorizam ancestralidades e apresentam novas perspectivas sobre identidade, pertencimento, afeto, território e resistência.

Joyce Prado, Juh Almeida, Juliana Vicente, Glenda Nicácio e Ana Clara Gomes

Joyce Prado – Chico Rei Entre Nós (2020)

Referência do audiovisual negro brasileiro, Joyce Prado dedicou sua trajetória à construção de narrativas sobre ancestralidade, identidade e diáspora africana. Em Chico Rei Entre Nós, a diretora parte da história do lendário rei congolês escravizado que conquistou sua liberdade para estabelecer um diálogo entre passado e presente, refletindo sobre racismo estrutural, memória e resistência da população negra.

Falecida em 2025, Joyce deixou um legado fundamental para o cinema brasileiro, inspirando novas gerações de realizadores e reafirmando o audiovisual como ferramenta de preservação da memória e transformação social.

Juh Almeida – Eu, Negra (2022)

Com uma estética afrocentrada e sensível, Juh Almeida constrói narrativas que unem espiritualidade, afetividade e identidade da mulher negra. Em Eu, Negra, a diretora propõe uma experiência poética sobre o reconhecimento de si e a força da ancestralidade feminina, encerrando uma trilogia autoral iniciada com Náufraga e Irun Orí.

Juliana Vicente – Diálogos com Ruth de Souza (2022)

Diretora, roteirista e produtora, Juliana Vicente presta homenagem à trajetória de Ruth de Souza, pioneira da televisão e do cinema brasileiros. Construído a partir de conversas registradas ao longo de uma década, o documentário conecta memória, cultura afro-brasileira e o protagonismo das mulheres negras na história do audiovisual nacional.

Glenda Nicácio – Café com Canela (2017)

Premiado em diversos festivais, Café com Canela acompanha o encontro entre duas mulheres marcadas por diferentes experiências de vida, tendo a cidade baiana de Cachoeira como personagem central da narrativa. Dirigido por Glenda Nicácio, o longa aborda afeto, luto, cuidado e reconstrução a partir de personagens negras complexas e profundamente humanas.

Ana Clara Gomes – Diaspóricas

Idealizada e dirigida por Ana Clara Gomes, Diaspóricas é uma série documental premiada que celebra o protagonismo de mulheres negras na música brasileira. Ao reunir artistas de diferentes territórios, a produção evidencia a força da ancestralidade, da criação artística e das experiências compartilhadas por mulheres negras, reafirmando o papel da cultura como instrumento de resistência e transformação social.

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