O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, sob gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg), celebra, em fevereiro, a força da literatura periférica e as raízes do samba paulistano. O grande destaque da programação é a celebração dos 35 anos de carreira de Sergio Vaz, o ‘Poeta da Periferia’, que encerra sua exposição com um sarau histórico no Museu. A agenda ainda mergulha na ancestralidade do Carnaval com o projeto “Gira Bandeira – Guardiões do Carnaval”.
Durante sete meses em cartaz ocupando a biblioteca e as salas expositivas do térreo da instituição, a mostra de Sergio Vaz consolidou-se como um marco ao narrar os 35 anos de carreira do co-fundador da Cooperifa. Por meio de instalações, objetos pessoais e vídeos, a exposição permitiu que milhares de visitantes mergulhassem na literatura que evidenciou as “quebradas” como centros de produção intelectual.
No dia 21 de fevereiro, das 14h às 17h, o Sarau Fluxo Poético marca a despedida da exposição. Com microfone aberto, o encontro propõe um diálogo direto com o público, estimulando a livre expressão artística por meio da palavra falada, característica fundamental do trabalho de Vaz no projeto “Poesia Contra a Violência”.
De acordo com Natália Cunha, Diretora do Museu das Favelas, abrigar essa trajetória foi fundamental para mostrar que a escrita nasce do cotidiano e ganha o mundo como ferramenta de cidadania e transformação social. “Encerrar esta exposição com um sarau é reafirmar que a poesia não é um objeto estático, mas algo que pulsa no encontro entre as pessoas”, comenta.
Dando continuidade às celebrações do mês, no dia 28 de fevereiro, o Museu apresenta “Gira Bandeira – Guardiões do Carnaval”, com curadoria do escritor e cineasta Akins Kintê. A atividade contará com a exibição do documentário homônimo, servindo de ponto de partida para um debate sobre a genealogia dos estandartes, a intersecção entre a capoeira e o samba, e as narrativas sobre masculinidade negra nos territórios de matriz africana. O evento termina com uma celebração musical dedicada aos hinos do Carnaval.
Além da programação especial, os visitantes poderão conhecer a exposição principal ‘Sobre Vivências’, que utiliza dispositivos sensoriais para transpor as dimensões do cotidiano nas favelas, oferecendo uma experiência que humaniza e complexifica o olhar sobre esses territórios. A grade expositiva contempla ainda a mostra ‘Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon’, em celebração ao centenário do psiquiatra e filósofo revolucionário, reunindo obras que tensionam e dialogam com as pautas antirracistas e o pensamento descolonial, conectando o legado de Fanon às urgências do Brasil contemporâneo.
Serviço
Local: Largo Páteo do Colégio, nº 148, Centro Histórico de São Paulo.
Ingressos: Entrada gratuita (retirada de ingressos na recepção ou via sympla).
Programação de Fevereiro
- Sarau Fluxo Poético com Sérgio Vaz: 21/02 (sábado), das 14h às 17h.
- Festa de Favela – Gira Bandeira: 28/02 (sábado), às 15h.
Exposições em Cartaz
- Fluxo Poético – Vida e Obra de Sérgio Vaz: O Poeta da Periferia
- Temporada: Até 22 de fevereiro de 2026.
- Por que visitar: Uma celebração da literatura que nasceu nas bordas e conquistou o país.
- Curadoria: Sergio Vaz.
- Co-curadoria: Mariana Gramacho e Rodrigo Kenan.
- Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon
- Temporada: Até 24 de maio de 2026.
- Por que visitar: Um mergulho essencial no pensamento revolucionário de um dos maiores intelectuais do século XX e XI.
- Concepção, Direção Artística e Curadoria: Thaís de Menezes
- Curadoria do Museu das Favelas: Jairo Malta
- Sobre Vivências
- Temporada: Longa duração (sem data definida).
- Por que visitar: A espinha dorsal do Museu, uma imersão nas memórias e no cotidiano das favelas e periferias.
- Integração: Experiência virtual Esperançar, com patrocínio da META, propõe um percurso imersivo que reúne arte, tecnologia e memória que destacam as vivências das periferias do Sul Global.
- Curadoria: Gil Marçal, Jairo Malta, Leandro Mendes (em memória), Vera Cardim e Oswaldo Faustino.
