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Livro “Se Liga no Som” mostra a evolução do rap brasileiro

por Adriana Moraes

Ricardo Teperman é o autor do livro “Se Liga no Som – As Transformações do Rap no Brasil”, que mostra a evolução do cenário do Rap Nacional desde o início com Racionais Mc’s até os dias de hoje com nomes como Emcida e Criolo.

O livro tem como objetivo proporcionar o leitor sobre uma reflexão sobre toda a transformação que ocorreu no Rap Nacional. Transformações essas dadas ao objetivo que o cenário quis passar inicialmente e como estão as coisas hoje em dia.

Se-liga-no-som livro 2015O movimento que nasceu no final dos anos 80 aqui no Brasil, trouxe a cena um dos grupos que mais fariam história no cenário do Rap brasileiro, o grupo que tem como integrante nomes como Mano Brown, Kl Jay, Ice Blue e Edi Rock. Tendo a estação São Bento como berço, o quarteto tomou a frente do rap nacional com músicas que falavam sobre o cotidiano do morador das favelas, sobre o abuso do poder, sobre o massacre na antiga penitenciária do Carandiru. O grupo foi crescendo a cada dia, conquistando mais fãs e admiradores e assim permaneceu soberano por 25 anos.

“Por todo esse tempo, era difícil fazer rap sem olhar para os Racionais, mas esse ciclo está se encerrando”, diz Teperman.

Para o autor, uma nova geração do rap nacional surgiu, tirando dos Racionais o papel central que ocupavam a tantos anos.

“A relação dessa geração do milênio com a mídia e o mercado é mais desembaraçada”, diz.

Se no começo dos Racionais o grupo evitava shows em casas denominadas de “playboy”, gravava discos independentes e tinha uma postura de “nós, contra eles”, os novos artistas da cena tem uma nova visão e mais jogo de cintura para lidar com a questão da indústria musical brasileira que evolui com o passar do tempo e também com a imprensa.

“O passo que Emicida e Criolo estão tentando dar é ousado e ambicioso, é tentar não perder a contundência na crítica, mas entrar no mercado, que já não é mais o das grandes gravadoras”, diz Teperman.

O risco visto pelo autor é de que visão do viés político implantando por Racionais se perca. O autor cita como exemplo a música “Diário de um Detento” de 1998 que conta a história do dia do massacre da antiga penitência do Carandiru, onde 111 presos foram mortos pela polícia durante uma rebelião no pavilhão 9 da Casa de Detenção.

“A música brasileira tem uma tradição de ‘pacto social’, de tentar conciliar as classes. Os Racionais chegaram dizendo ‘nós quem, cara pálida ? Eles têm um recorte claro de classe e de raça, não têm pretensão de falar com todos os brasileiros.”, diz Teperman.

Na nova geração as coisas mudam, levando em consideração a quebra de paradigmas na vida dos rapper. “Nessas três décadas de redemocratização, houve um aumento, principalmente, de escolaridade e acesso a bens de consumo, potencializado pela internet banda larga”, diz o autor.

Ainda com toda essas mudanças e transformações, as novas gerações ainda parecem dar pistas de que essa veia politizada não deve se extinguir tão cedo. A popularização da internet, que facilitou a difusão das músicas desses novos artistas, e a decadência das grandes gravadoras também tiveram papéis importantes nessa mudança do rap.

Dá para dizer, agora, pela primeira vez, que os Racionais MC’s saem do posto de figura central do rap nacional. E o Emicida passa a ocupar esse lugar, mas num contexto muito diferente — afirma.

As mudanças são visíveis, e tendem a continuar com o passar do tempo, porém a essência do rap nacional não pode morrer, mesmo com os avanços das tecnologias, com o aprendizado de novas tendências, o objetivo inicial e principal do rap é e sempre será o mesmo, dar voz as comunidades, falar de realidade, trazer a tona sonhos muitas vezes esquecidos, e isso independe de Racionais, Emicida, de Criolo, isso é a missão de todos que participam e amam essa cultura que cresce a cada dia, chamada Rap Nacional.

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