Home Entrevistas MC chicano e LGBT, Luisifer fala sobre sua música em entrevista exclusiva

MC chicano e LGBT, Luisifer fala sobre sua música em entrevista exclusiva

por Arthur Venturi Vasen

Ser LGBT no rap não é algo simples. Entre várias dificuldades, existe o fato de nem sempre você ser levado a sério, de muitas vezes você ser o único LGBT em um espaço de rap e isso, e muito mais, está presente nos versos e nas história de Luisifer, um MC assumidamente gay e de origem latina que vive hoje em Phoenix, no estado do Arizona nos EUA.

Tendo crescido escutando muito chicano rap (um subgênero do rap realizado nos EUA por pessoas de descendência latina), a sua forma de rimar foi muito influenciada por ele, especialmente por contar histórias em suas músicas, fazer muito freestyle  e buscar sempre um flow mais tranquilo, suave e frequentemente inspirado em músicas clássicas da Motown Records com elementos latinos. Romântico e nostálgico, Luisifer busca sempre falar sobre suas histórias, sobre a cultura pop, sobre política e sobre sua vida amorosa.

Hoje com 7 músicas lançadas, o MC já é uma referência no cenário dos bares e baladas gays de sua cidade e, em uma conversa exclusiva com o ZonaSuburbana, contou um pouco sobre cada uma de suas músicas, dando dicas de como ele pensa, de situações envolvendo ser LGBT no hip hop e do que o público pode esperar de seu EP que será lançada ainda neste ano. Confira:

“Comecei a três anos atrás trabalhando com uma rapper, escrevendo para ela e a ajudando como estilista. Sempre gostei de criar coisas e música era algo muito natural para mim. Ultimamente nós cortamos contato e, apesar de ter perdido uma amida, eu ganhei uma música: Kitty Litter”. Essa foi a primeira música que escrevi para mim mesmo. Infelizmente, essa música é um pouco perversa, mas quando a escrevi ela dizia exatamente o que eu sentia. Hoje amadureci e me sinto mais sábio e somete desejo a ela sorte com sua arte e música. Mas não posso negligenciar essa música incrível que veio em meio a toda essa bagunça.”

Baby Daddy” foi o primeiro single que eu realmente expressei o que sinto pelo rap feito atualmente. A maioria dos rappers americanos rimam sobre mulheres e dinheiro, coisas que não tem profundidade e, nessa música, eu escrevi sobre trazer o meu estilo, a minha galera, as minhas ideias e o meu conteúdo. Quando comecei a rimar, as pessoas riam de mim quando descobriam que eu era gay. Isso era divertido para eles e é por isso que a música começa com “Esses manos acham que é realmente engraçado quando um menino afeminado pega no mic, mas não o dinheiro”. Porque eles realmente não me levavam a sério até escutarem minha música.

Classy” já é uma música mais divertida. É a música que eu chego tocando em uma festa e as pessoas sempre gostam quando eu rimo ela ao vivo. Ela é provocativa, suave, divertida e sexy. É definitivamente algo para as pessoas dançarem.

Torpedo” é uma música que escrevi sobre o assassinato de Gianni Versace [um estilista da alta costura italiana, assassinado por seu gigolô com dois tiros na nuca] nos anos 1990. A música fala a partir da perspectiva de Andre [o assassino]. Quando eu assisti um programa sobre quem ele era, fiquei intrigado e fiz muita pesquisa e descobri que ele é muito interessante. E quando ouvi o beat, logo imaginei um vídeo no estipo Miami Vice para ele. Eu não perdoo assassinatos, mas não posso negar que essa história me deixou muito intrigado.

A música Crazy For You fala sobre meu último relacionamento sério. Eu namorei esse cara durante 7 anos e eu esqueci de mim mesmo completamente para conseguir realizar os sonhos dele. Ele quebrou meu coração mas, mesmo sendo egoísta, ainda sinto amor por ele. Eu era completamente apaixonado.

Suicidal Ideations” é uma música triste. Ela conta um pouco sobre a minha vida e meu passado, assim como sobre o mundo. É a música mais íntima que eu já lancei e foi difícil gravá-la por conta do quanto isso tudo me impactou. Eu tenho uma relação de amor e ódio com essa música porque nela eu digo que a minha vida é minha e que eu tenho o direito de escolher quando quero morrer. Mas viver é uma coisa maravilhosa. Eu amo a vida. Porém, sempre fui do tipo de pessoa que gosta de explorar as partes mais sombrias de mim mesmo e essa música é um resultado disso.

One Take” foi uma música que escrevi para uma competição de rap. Eu não venci. Inclusive, eu nem apareci na página de inscrições da competição: nenhum artista LGBT apareceu e isso me deixou muito desapontado. Durante esse tempo da minha vida, eu tinha uma pessoa que era muito tóxica para mim: ele estava muito ressentido quando eu não sentia o mesmo que ele sentia por mim. Ele fez da minha vida um inferno e eu expressei toda a raiva que senti através dessa música. Por conta disso, é a faixa onde rimo mais rápido e mais agressivamente. Pretendo gravá-la para meu EP que está a caminho. 

Encerrando a conversa, Luisifer mandou um recado para as pessoas refletirem: “O lema da minha vida é: A vida é esquisita e as pessoas são estranhas. Então divirta-se e não leve nada muito a sério porque a vida é uma viajem curta e a música é para pessoas tristes”.

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