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segunda-feira, junho 24, 2024

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Rashid explora a distopia das metrópoles em seu novo disco, “Movimento Rápido dos Olhos”

Em um futuro distópico, as grandes cidades deixam de ser pólos econômicos e se tornam vazios de concreto; a população, então, migra para as regiões interioranas atrás de recursos. A busca por qualidade de vida esbarra, diretamente, no comando do Patriarca, figura corrupta e detentora de riquezas conquistadas por meio de ameaças e intimidações. Uma comunidade instalada na região vive em harmonia até ser dizimada por homens subordinados ao vilão. Assim se inicia a história por trás do novo lançamento de Rashid, o disco “Movimento Rápido dos Olhos”. Definido pelo artista como um álbum-áudio-filme, o quarto trabalho de estúdio do rapper intercala as canções com animação em quadrinhos, resgatando o formato das radionovelas. Nomes como Liniker, BK’, Marissol Mwaba, Amiri, Don L, Curumin, Macedo Bellini e Stefanie se unem a Rashid como participações especiais ao longo das 15 faixas. Estas constroem uma jornada de mudanças regida pela evolução pessoal e pelos questionamentos às regras. “Movimento Rápido dos Olhos” chega às plataformas digitais no dia 10 de novembro acompanhado de animações no canal de YouTube do artista. 

O disco vem para exagerar a realidade. Ele eleva à enésima potência a atmosfera na qual a gente vive hoje e deduz onde poderíamos parar caso não houvesse mudanças”, comenta Rashid. Com um tempero de utopia, sonho e heroísmo, a narrativa é pautada no processo de autodescoberta de Samurai, protagonista que tem a companhia de Proceder, Oráculo, Davila e Patriarca ao longo da história.

Para dar vida a estes personagens, Rashid convidou a jornalista e apresentadora Adriana Couto, o publicitário Rodrigo Carneiro e o dublador Guilherme Briggs. Este último é figura conhecida por emprestar a sua voz para desenhos como Buzz Lightyear, Superman, Mickey e Samurai Jack. “Queria trazer alguém da dublagem para trabalhar num álbum meu há algum tempo, mas ainda não tinha o lugar perfeito. Não imaginava que conseguiria um dos maiores dubladores do país para este trabalho atual”, comemora. 

A cultura oriental é um forte guia em “Movimento Rápido dos Olhos”. Seja nas animações, em formato de quadrinhos, ou nos personagens. Isto se deve à admiração que Rashid cultivou ao longo dos anos. “Essa identificação nasceu ainda na época das batalhas, onde toda semana meu talento estava em jogo contra MCs incríveis e eu precisava de uma disciplina intensa para continuar evoluindo. Nessa época, conheci livros como Bushido, Hagakure e a própria história do Miyamoto Musashi, o samurai mais famoso da história do Japão”, lembra o rapper, que complementa: “eu me identifiquei com muitas coisas ali e, a partir disso, formei parte da base do meu pensamento sobre rotina, dedicação e foco”.

Para representar visualmente “Movimento Rápido dos Olhos”, a capa do disco traz o Rashid caracterizado de Samurai. A escolha desta figura para encabeçar o enredo foi algo natural para o artista. “A personalidade do Samurai traduz, de certa forma, muito sobre temas abordados nos meus sons. Ele não só é uma manifestação do eu lírico do Rashid, mas também um retrato de todos que se identificam. Por isso, ele não tem nome, porque ele pode ser qualquer um”, afirma. 

O ponto de partida da obra é com a faixa “Oráculo”. Ela é responsável por apresentar a jornada do Samurai e o universo de “Movimento Rápido dos Olhos” para o público. “Deixai Toda Esperança”, música na qual Rashid divide os vocais com Macedo Bellini, é uma carta para a Morte e foi inspirada no poema “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri

Você precisa lembrar daqueles que se foram, mas precisa celebrar também quem continua vivo ao seu lado” é a premissa guia de Rashid em “Um Brinde A Todos Que Se Foram”, composição que passeia pelas memórias do protagonista e transforma as dores em combustível. “Jogo Sério”, por sua vez, tem participação de Marissol Mwaba e do rapper BK’, e trata sobre a necessidade de tomar as rédeas da situação, mesmo com todas as adversidades. Ela culmina em “Tem Dias Que”, um mantra de aceitação que funciona como um lembrete: nem todos os dias são bons e não é preciso dar conta de tudo o tempo todo. 

A jornada de Samurai tem sequência com “Agora Você Me Deve”, que antecede a faixa “A Lua Atrás Do Prédio”, resposta — na perspectiva de uma criança — para o single “Porque É Proibido Pisar Na Grama”, de Jorge Ben Jor. “São questões que, de tão ingênuas, se tornam profundas e filosóficas em alguma instância”, explica. O dia amanhece na narrativa em “Ver Em Cores”. Com a participação de Liniker, com sua voz que carrega candura e potência, a canção marca a virada da história. A partir deste momento, a narrativa dá lugar à esperança e a novas descobertas. Marco disso é o interlúdio “Contexto, Café e Coragem”, quando Samurai se dá conta que o seu poder não está na força ou na lâmina de sua espada, mas, sim, nas palavras.

Na Entrada do Céu”, com participação de Stefanie, traz outro momento de emoção na tracklist. “A música fala sobre pessoas que estão aguardando serem registradas na entrada no céu e cada um conta como chegou ali”, resume. Com Amiri e Don L, “Linha De Frente” reitera o papel de pessoas que estão no holofotes para tomarem frente nas lutas. “De nada valem todas as habilidades e ser o melhor MC do mundo se as coisas que a gente fala e faz não forem em prol do nosso pessoal”, pontua. Mais uma referência ao texto poético “A Divina Comédia”, “Às Margens Do Rio Lete” nasce como uma forma de reforçar a canção anterior e, marca, mais uma vez, a mudança no foco do protagonista. 

Ao lado de Curumin, Rashid questiona a arte na vida das pessoas em “Ao Subir Das Letrinhas”. “Respiramos arte no dia a dia e as nossas músicas são um reflexo disso. A arte é a forma como a gente vive”, resume. Marcando o final de “Movimento Rápido dos Olhos”, essa faixa busca estimular que as pessoas vivam as suas vidas após o crédito final. “Quando o crédito sobe é quando começa de fato a obra da sua vida”, declara. Anteriormente, Rashid já tinha divulgado outras duas faixas do disco: “Pílula Vermelha, Pílula Azul” e “Não Sabem De Nada”.

Movimento Rápido dos Olhos” apresenta uma nova faceta de Rashid, não só musicalmente, reforçando suas influências fora do rap, como também o artista multifacetado responsável por entregar uma nova experiência de consumo, sem estar preso a fórmulas e sem perder a sua marca nas rimas afiadas e necessárias. “Movimento Rápido dos Olhos é cinema para os ouvidos”, finaliza.

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