sábado, junho 20, 2026

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Rap, fé e poesia se encontram em “Neguinho”, a estreia arrebatadora de Prince Belofá

O jovem artista Prince Belofá lança em 20 de novembro de 2025 — Dia da Consciência Negra — seu aguardado álbum “Neguinho”, uma obra que costura ritmo, espiritualidade e política em um retrato vibrante da vivência negra nas quebradas do Distrito Federal. Consolidando seu nome na cena musical independente do DF, Prince Belofá ultrapassa agora as fronteiras com seu disco de estreia, num trabalho carregado de autenticidade, lirismo, senso crítico e ode à espiritualidade. Ouça nas plataformas digitais.

“Neguinho” é uma verdadeira declaração de existência: cada faixa é um ponto de encontro entre fé, corpo e quebrada, uma afirmação da potência criativa negra que pulsa no centro-oeste brasileiro.

Com participações de Marcelo Café, Nayê, Aggin, Isa Marques, Aqualtune e Layó, o álbum se revela como um mosaico de vozes e experiências que convergem em um mesmo propósito: afirmar identidades, celebrar resistências e questionar estruturas. As produções levam as assinaturas de Noze, Piá The Kid, ZucaBeatz e Rubão, que imprimem ao projeto uma sonoridade plural, transitando do rap mais cru ao groove dançante, passando por atmosferas de trap, reggae e referências afro-diaspóricas.

“Prince é aquele mano que é tipo porta-voz da cultura sem se esforçar. Ele tem uma fala e uma presença, e as ideias que ele passa nesse álbum também, eu acredito que tem muita coisa que é história pessoal, mas são muitas coisas que muitos neguinhos conseguem se identificar. O álbum tem o potencial para mudar tanto a vida do Prince, quanto a de vários ‘neguin’ por aí. Tô muito feliz de ter participado desse álbum”, Rubão, um dos produtores do disco.

Composto por 10 faixas, uma intro e um interlúdio, “Neguinho” levou três anos para ser finalizado, desde a concepção às etapas de gravação e mixagem. Prince define o trabalho como uma síntese de suas influências e vivências, e afirma:

“É afro trap e sampa rap, mas no fim das contas é um disco de rap. Rap pra caralho. Um disco que o Rappin Hood faria”, brinca o artista.

Algumas faixas nasceram de um acampamento musical idealizado pelo próprio MC, que reuniu artistas da cidade para trocar experiências e criar em colaboração, o que ele chama de um verdadeiro “game artístico”.

Nas letras, Prince Belofá traduz com intensidade a vida acontecendo. Histórias cotidianas, afetos, espiritualidade e resistência marcam suas composições. Seu processo criativo costuma acontecer de forma orgânica e espontânea, entre ideias que surgem em movimento e versos escritos diretamente no estúdio, conforme as produções ganham corpo.

No disco, o artista faz questão de conectar o rap aos contextos político e espiritual que o atravessam:

“O rap não é só um ritmo. Não tem como isolar o rap de seu contexto social e de sua cultura como um todo. O rap é político. Costumo dizer, que, assim como Exú é o dono das ruas, o rap, o hip hop é um movimento nascido nas ruas. É elementar. É importante pra mim fazer essa associação.”

Para Prince Belofá, chamar o álbum de “Neguinho” é uma provocação que nasce das múltiplas nuances do termo. Ele explica que a palavra muda de peso conforme quem a pronuncia: pode soar afetuosa na boca da família e dos amigos, mas adquirir tom ofensivo quando dita por pessoas brancas. “Em qualquer um dos casos isso é bom, porque abordo todos esses sentimentos no disco”, conclui.

Assim, o álbum atravessa o “neguinho” dito com amor, o “neguinho” marcado pelo racismo e o “neguinho” que acende um alerta ou reforça identidade.

Fã de samba, e trazendo influências que vão de Racionais MC’s a Alcione, de Djonga a Jovelina Pérola Negra, Prince define sua sonoridade como uma fusão de afrobeats, rap e neo-samba. Em “Neguinho”, essa mistura se manifesta de forma harmoniosa e inovadora, incorporando inclusive pontos de macumba e elementos percussivos que evocam a ancestralidade. O resultado é um disco cinematográfico, que soa como a trilha sonora da jornada do herói negro — o neguinho do título — em meio a amores, crenças, vivências e desafios.

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