Lançado no dia 2 de novembro, o documentário “Ressonâncias e Preservações” propõe um mergulho nas tradições musicais afro-indígenas do Brasil, valorizando expressões culturais que resistem ao apagamento histórico. A obra conta com a colaboração do percussionista Maestro Macambira, referência da música afro-brasileira, e do indígena Txihi Pataxó, entre outros mestres e guardiões da memória ancestral. O filme está disponível gratuitamente no canal da produtora Laboratório Alquímico, no Youtube.
Idealizado pela cantora, compositora e produtora Sereia do Cerrado, o projeto nasceu a partir de uma pesquisa realizada entre Goiânia, Salvador e na Costa do Descobrimento (BA), envolvendo visitas a terreiros, comunidades tradicionais e vivências em uma aldeia Pataxó.
Como parte das atividades do projeto, Txihi Pataxó e Maestro Macambira estiveram em Goiânia e ministraram uma oficina gratuita de música afro-indígena no Orum Aiyê Quilombo Cultural, reunindo jovens e admiradores da cultura afrodescendente. Mestre Macambira é Fundador da Escola Internacional de Percussão da Bahia e já colaborou com artistas como Gilberto Gil, Beto Barbosa, Banda Eva, Sandra de Sá e Tim Maia. É reconhecido internacionalmente por dominar os ritmos de Orixás — Ketu e Angola.

Em entrevista, o músico baiano fala sobre o poder da ancestralidade, a importância da juventude na continuidade das tradições e o papel dos ritmos afro-brasileiros na transformação cultural.
“É essencial repassar esse conhecimento aos jovens, para que conheçam suas raízes. Quando trabalhamos com eles em oficinas e projetos, estamos traduzindo a sabedoria dos nossos avós e tataravós. É preciso saber reconhecer, traduzir e ensinar esses ritmos, para que cada afrodescendente busque e conheça um pouco mais da sua origem”, comenta Maestro Macambira.
Feito pelo celular
Curiosamente, o documentário Ressonâncias e Preservações foi inteiramente realizado com um celular iPhone, seguindo a estética de produções internacionais como Unsane (2018) e Tangerine (2015), ambos filmados com iPhones 5 e 7. O projeto também buscou respeitar e ao mesmo tempo atualizar as tradições retratadas, adotando uma linguagem contemporânea inspirada no último trabalho da artista Serena Assumpção.
Para garantir acessibilidade, o filme contará com interpretação em Língua Brasileira de Sinais, (LIBRAS), traduzido por Pollyane Rodrigues. Este projeto foi contemplado pelo Edital de Fomento à Música nº 10/2024.
Conheça mais sobre o projeto Ressonâncias aqui.
