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quarta-feira, fevereiro 21, 2024

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MC Lalão do TDS lança o clipe de “Mandraka Siliconada” no Mês do Funk

Nesta quinta-feira, 27 de julho, no Mês do Funk, MC Lalão do TDS lança o clipe de “Mandraka Siliconada”, o seu novo hit, sobre duas mulheres a caminho de uma festa, numa aventura de moto. Lalão, ou Larissa Manoel, tem 26 anos, nasceu e foi criada em Taboão da Serra, é cria do funk paulista, preta, periférica e sapatão. “Essa música marca uma nova fase para mim, que faço muito funk consciente, ela mostra a minha versatilidade enquanto artista. É uma música de amor, que também traz algo mais maloqueira, de ‘vida loka também ama’”, diz Lalão.

O clipe, dirigido e produzido por Pétala Lopes e Luíza Fazio, foi feito de forma voluntária por uma equipe de mais de 40 pessoas, principalmente mulheres e membros da comunidade LGBTQIAP+, que se disponibilizaram por meio de uma chamada no Instagram. O elenco do clipe é todo composto por mulheres. “Em cada uma das etapas, pré-produção, gravação, pós-produção, divulgação, entre outras, vimos todo mundo acreditando muito no projeto, em fazer dar certo”, conta Pétala. “As pessoas participaram oferecendo o tempo delas, que é o bem mais precioso que todos temos”, complementa Luíza.

As gravações foram feitas no bairro Jardim Comunitário, em Taboão da Serra, bairro vizinho ao de Lalão. “Quando escrevo uma letra, já escrevo pensando no clipe. Então, já visualizava as minas dando grau de moto na minha quebrada. É incrível ver isso materializado”, diz Lalão. “No clipe, vemos as minas empinando motos e dançando na frente de um paredão de som.”

Ouça nas plataformas digitais.

Mandraka Siliconada colou na minha quebrada / me tacou na sua garupa / acho que eu tô apaixonada”, canta Lalão em “Mandraka Siliconada”. Ela conta que, ao escrever as suas letras, costuma inverter papéis, desafiar estereótipos. “Numa relação entre mulheres, não existe essa parada de quem faz o quê. Por isso, na música e no clipe, quem me busca de moto é a Mandraka, uma mina toda feminina, siliconada, de unha rosé”, diz Lalão. “O estereótipo de uma mina como eu, nada feminina, funkeira, naipe, é o de quem pega geral, mas sou diferente disso e quis trazer quem eu sou para a letra.”

A inspiração para escrever a música surgiu quando uma amiga de Lalão disse para ela que queria colocar silicone e se mudar para o exterior. “Comecei a brincar com o assunto e logo surgiu uma melodia”, conta Lalão. A música mistura a sensualidade do funk com os beats lentos do trap.

No elenco, há diversidade de corpos, cores, sexualidades e estilos – e as personagens não ocupam os papéis pré-estabelecidos pelo senso comum. “Em clipes de funk, não encontramos muitas mulheres pilotando moto. Então, fomos atrás de minas que dão grau em toda a Grande São Paulo para participarem do projeto”, conta Pétala. “Nos debruçamos na palavra ‘aventura’ para trabalhar tanto na direção quanto na direção de foto.

Luíza conta que, para a produção e direção do clipe, uma das referências foi o clipe de Saoko, da cantora espanhola Rosalía, que ficou conhecida como Motomami, nome do álbum que contém a música. “Quisemos trazer essa referência de moto mais feminina para a estética do funk, para uma estética mais popular e noturna”, conta ela.

Lalão destaca que a cultura do grau é muito forte na periferia, inclusive entre as mulheres. “Não é algo tão retratado pela imprensa ou pelas redes sociais, mas é muito presente, são vários os bondes, os rolês de moto”, diz ela. “A nossa referência principal é a cultura da quebrada.”

A expectativa de Lalão com o lançamento de “Mandraka Siliconada” é furar a bolha da Zona Sul de São Paulo e atingir o Brasil todo. “Acredito muito nessa música e, como artista, quero passar a visão de que a resposta é sempre a arte e não o vício”, afirma ela. “Estou limpa há dois anos e meio e essa vitória inspira todo o meu trabalho.

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