MC e artista plástico Jota Ghetto lança o single “A Forja”, uma obra que une ancestralidade africana à música e vivência urbanas em uma narrativa sobre reconstrução, disciplina e fortalecimento pessoal.
Integrante do selo KL Música, comandado pelo DJ KLJay — DJ dos Racionais MC’s —, o artista apresenta em “A Forja” uma música inspirada na filosofia de Ogum, orixá da guerra, da tecnologia, da estratégia e da metalurgia. Conhecido como o ferreiro dos orixás, Ogum representa não apenas a luta, mas também a capacidade de transformar matéria bruta em ferramenta, dor em aprendizado e dificuldade em estrutura.
Essa simbologia orienta todo o conceito do single.
A música se inicia com um itan, conto tradicional africano, que narra a história de um trabalhador rejeitado e injustiçado logo após executar o trabalho e acabar por não ser pago. Diante das adversidades, Ogum se indigna, intervém e penaliza quem cometeu as injustiças com o trabalhador. A partir dessa narrativa, Jota Ghetto conecta a espiritualidade à própria trajetória.
“A Forja” retrata um período em que o artista viveu em situação de rua, enfrentando privações básicas e instabilidade, mesmo possuindo reconhecimento no cenário do rap. Nesse contexto, ele reflete sobre relações movidas por interesse, sobre a necessidade de proteção emocional e sobre o desenvolvimento de maturidade para atravessar esse momento sem perder sua essência.
Mais do que relatar dificuldades, o single enfatiza o processo de construção interna: assumir responsabilidades, reorganizar a própria vida, fortalecer a mente e alinhar corpo, espírito e propósito. A música menciona, de forma consciente e sem estigmatização, o enfrentamento de questões pessoais como parte desse caminho de reconstrução.
A ancestralidade africana surge como base filosófica e espiritual para esse processo. Em “A Forja”, Jota Ghetto transforma Ogum em símbolo de método, disciplina e inteligência estratégica: vencer não é apenas resistir, é saber se preparar, se lapidar e se posicionar.
Natural de São Carlos, o artista se mudou para São Paulo com o sonho de viver da música. Após um período de instabilidade que o levou às ruas, encontrou na arte, na espiritualidade e na consciência social os pilares para se reerguer. Essa trajetória se traduz em versos que abordam marginalização, preconceito e a luta pela dignidade, sempre a partir de uma perspectiva ativa e afirmativa.
A capa do single foi desenvolvida pelo próprio Jota Ghetto, reforçando sua atuação também como artista visual à frente de seu ateliê, o Bic Cinéia, onde assina as ilustrações dos singles de DJ Ajamu, também pela KL Música, e a identidade visual do álbum “Serena & Vênus (Lado A)”, das irmãs Tasha & Tracie. A arte para o single dialoga diretamente com o conceito da música, simbolizando o processo de forja — física, espiritual e artística — que atravessa sua caminhada.
O instrumental de “A Forja” foi produzido por Ander Som, com programações adicionais assinadas pelo próprio Jota Ghetto, ampliando o caráter autoral e conceitual da obra.
Mais do que um relato autobiográfico, “A Forja” é uma reflexão coletiva. Ao narrar sua reconstrução, Jota Ghetto propõe um rap que funciona como ferramenta de fortalecimento individual e social, reafirmando a cultura hip hop como espaço de consciência, espiritualidade e transformação.
“A Forja” é o som de quem passou pelo fogo, aprendeu com o ferro e saiu afiado.
