Belo Horizonte sempre teve uma relação íntima com a música. Dos acordes do Clube da Esquina às guitarras do rock mineiro, a cidade construiu um imaginário sonoro que atravessa gerações. Agora, essa tradição ganha mais um capítulo nas batidas de boom bap de “Folga na ZL”, EP que une o MC HS e o beatmaker Meninsk em um retrato contemporâneo da Zona Leste da capital mineira.
Lançado nas plataformas de streaming na sexta-feira (13) pela Catioros Records, o projeto traz cinco faixas que funcionam quase como uma crônica urbana. Ao longo do disco, HS revisita deslocamentos, memórias e afetos que marcam a trajetória de quem saiu do interior para tentar a vida em Belo Horizonte, um movimento comum, mas que aqui ganha contornos pessoais e poéticos.
Mais do que um simples recorte geográfico, a Zona Leste aparece como personagem central. Bairros como Floresta e Santa Tereza, historicamente ligados à boemia e à efervescência cultural da cidade, formam o pano de fundo das histórias narradas no EP. Não é por acaso: é ali que os dois artistas vivem atualmente, absorvendo o ritmo das ruas, dos bares e das esquinas que moldaram parte da identidade musical mineira.
Essa atmosfera se reflete diretamente no som. Meninsk constrói as bases com estética clássica do hip-hop noventista, trabalhando samples e moldando as batidas em máquinas como a SP404. O resultado são instrumentais densos e nostálgicos, que dão espaço para as rimas de HS explorarem temas como pertencimento, saudade do interior e o impacto da cidade grande na formação de um artista.
As imagens que acompanham o lançamento reforçam essa narrativa. Visualizers, videoclipe e minidocumentários foram gravados nas ruas da Zona Leste e no Estúdio Floresta 162, com direção de Miller. O material audiovisual amplia a proposta estética do EP ao explorar contrastes típicos de Minas Gerais: interior e capital, verde e concreto, juventude e tradição.
Em “Folga na ZL”, as histórias pessoais dos dois artistas se cruzam. Ambos vieram do interior mineiro e encontraram na capital um novo território criativo. A “folga” do título, nesse contexto, não significa apenas descanso: é o momento de circular pelo bairro, observar a cidade e transformar essas experiências em música.
O resultado é um EP que funciona como registro afetivo de um pedaço específico de Belo Horizonte e, ao mesmo tempo, como um retrato universal da jornada de quem troca o interior pela capital em busca de novos caminhos.
