quinta-feira, junho 4, 2026

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Ginga Funk é destaque entre empreendedores das periferias em Goiás

Foto destaque: Mari Magalhães

Nos dias 28 e 29 de junho, o Centro de Convenções de Goiânia foi palco da Expo Favela Innovation Goiás 2024. Este evento, em sua segunda edição no estado, teve como objetivo dar visibilidade e gerar oportunidades de negócios para empreendedores das periferias. Entre os dez selecionados para representar Goiás no evento nacional em novembro, em São Paulo, destacou-se a Ginga Funk, um estúdio de dança voltado para manifestações culturais negras de forma decolonial.

Fundado pela coreógrafa Susan Santos e pelo músico Ryggie Diamantino, o Ginga Funk se localiza no Centro de Goiânia e oferece aulas de dança para diversos públicos, além de mentorias para jovens negros e periféricos. A escola também vende espetáculos e cria materiais audiovisuais, como o documentário “Dance Funk! Tem Que Respeitar!“.

O destaque da Ginga Funk na Expo Favela não é surpresa. Além de driblar preconceitos racistas e machistas predominantes na região, o estúdio promove aulas que trabalham a autoestima e a consciência corporal de seus alunos, conectando histórias pessoais com a cultura do funk. Esse trabalho tem sido fundamental para fortalecer a imagem positiva dos corpos negros e femininos, desafiando padrões eurocêntricos.

Em 2023, as mulheres representavam 34% do total de empreendedores no Brasil, segundo o Sebrae. Muitas delas estão à frente de negócios nas áreas de beleza, moda, alimentação, educação, saúde e serviços — como é o caso de Susan Santos, mestra em Antropologia Social, que tem utilizado a arte e a educação como instrumentos de transformação social. Além disso, o nível de escolaridade entre as empreendedoras vem crescendo: cerca de 60% têm ensino médio completo ou superior.

A participação na Expo Favela proporcionou à Ginga Funk a chance de ampliar suas conexões e vislumbrar novas possibilidades de crescimento. Para quem deseja conhecer mais sobre o estúdio, ele está localizado no Edifício Marlene Alvarenga, na Avenida Goiás, Centro de Goiânia.

Trabalhos didáticos e pedagógicos como esse são a força motriz de boa parte dos empreendedores presentes na Expo Favela. Susan Santos se encontrou neste lugar enquanto profissional. “A Expo Favela nos deu a oportunidade de ter mais conexões com outros empreendimentos com a mesma linguagem. A empresa ainda vai fazer 2 anos, então estamos aprendendo ainda sobre este mercado do empreendedorismo. Através dessas conexões, a gente entendeu que tem um trilhão de possibilidades de fazermos apresentações e a gente não sabia. E o evento possibilitou construir pontes com outros empreendedores que têm a ver com o que a gente fala”, pontuou.

No centro, Susan Santos. (Foto: Caju Bento)

O Desafio de manter um Escola de Funk em Goiânia

De acordo com o Mapeamento Nacional da Dança, realizado em 2016 pela Funarte, a inexistência de mercado para a dança em Goiânia está relacionada à desvalorização da área (20,6%), à falta de investimento em políticas públicas, à inexistência de sustentabilidade econômica, entre outros fatores.

Além disso, Goiás é um dos estados mais machistas do Brasil, ocupando a 7ª posição entre os estados com maior número de feminicídios em 2023, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados refletem, sobretudo, o efeito da ideologia machista na objetificação do corpo e na banalização da imagem da mulher — cenário agravado quando se trata de mulheres negras, que enfrentam camadas adicionais de preconceito racial.

As mulheres negras representam uma parcela significativa do empreendedorismo no Brasil. De acordo com dados do Sebrae de 2021, elas correspondem a 47% das empreendedoras no país, sendo agentes fundamentais na construção de iniciativas que unem resistência, criatividade e identidade cultural. Susan é uma dessas lideranças.

E como a Ginga Funk tem driblado esses preconceitos e tornado a escola uma realidade possível em Goiânia? Susan não hesita ao afirmar que tem sido bastante desafiador.

Estamos em um território que inviabiliza a presença de corpos negros protagonistas de suas próprias narrativas, inclusive no meio artístico. E temos uma outra dificuldade que é a de que muitos movimentos não reconhecem o Funk como parte da cultura urbana” (Susan Santos)

Para driblar estes desafios, a artista explica que a Ginga Funk atua com aulas dialogadas, com contexto histórico, para trabalhar o interior de seus educandos, selecionando para suas aulas protagonistas do movimento negro, sobretudo representantes do Funk do Rio de Janeiro e São Paulo, para tentar projetar imagens positivas a respeito deste gênero musical, para além do entretenimento.

Existe um tipo de funk que é o Funk Consciente. Então a gente pega uma letra, discorre sobre ela em sala de aula, tenta conectar com as histórias dos estudantes que passam pelo espaço Ginga Funk. A gente tem relato de pessoas que estão passando por depressão, por ansiedade e mulheres que têm seríssimos problemas de entender a própria imagem de forma positiva”, comentou a professora.

Por este trabalho de autoestima e consciência corporal, sobretudo de jovens negros, que o estúdio Ginga Funk está no TOP 10 em Goiás entre os empreendedores das periferias goianas.

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