Na continuidade de um dos capítulos mais densos de sua trajetória artística, Filipe Ret lança o álbum “Nume Epílogo”, em todas as plataformas digitais. A obra amplia o universo de “Nume” — lançado em novembro de 2024 — e reafirma a proposta filosófica, autoral e estética apresentada no disco original. Com oito faixas inéditas, o projeto oferece novas camadas à narrativa que o artista vem construindo desde o início de sua trilogia etérea de álbuns, formada por “Imaterial”, “Lume” e “Nume”. Agora, Ret amplia a reflexão sobre sua identidade artística e das conexões entre espiritualidade, lírica e vivência urbana.
“Nume Epílogo” é a última parte da mensagem do projeto. São letras e sons que complementam a ideia de Nume — o sagrado e o profano em equilíbrio, a minha caminhada da Lapa pro país inteiro. É sobre a minha verdade: meus conflitos e minha clareza, afirma Filipe Ret.
Ret abre o álbum com “KGL’s”, em tributo à caminhada do artista desde sua origem, na região formada pelos bairros do Catete, Glória e Lapa, um dos berços do rap no Rio de Janeiro. A faixa conta com participações de outros dois expoentes do rap nacional que são crias do mesmo berço: BK’ e Sain. A faixa expõe o leque de referências sobre as quais navegam a caneta de Ret: da psicologia analítica de Carl Jung, à estética dos refrões do funk carioca dos anos 80 e 90.
Em seguida, o artista segue brindando o público com mais quatro canções inéditas: “Selvagem”, “Grama Verde” (com participação de Alee), e “Canto Alto”, que marca o retorno à parceria com Daniel Shadow, 12 anos após o lançamento do álbum “Vivaz”, celebrado pelos fãs como um marco da carreira do artista, trazendo letras impactantes, como “Dutumob”, beats criativos e uma sonoridade boombap ousada e autoral.
Em sequência, versões inéditas de duas faixas apresentadas na primeira parte de “Nume”, que se tornaram hits: “Acima de Mim Só Deus” (com participação de Maru2D), e a “versão suja” de “Emoções” (com Orochi).
O lançamento acontece no auge da carreira de Filipe Ret. Em 2025, o artista permanece como o rapper mais ouvido do país, com 80 dias consecutivos no topo da categoria Rap/Hip-Hop no Spotify Brasil. Ele soma mais de 8,5 bilhões de plays nas plataformas digitais e levou mais de 1,5 milhão de pessoas à sua turnê “FRXV Ao Vivo”, comemorativa dos 15 anos de carreira. O espetáculo, que passou por mais de 100 cidades e originou um álbum ao vivo com nove certificações, reforçou o impacto de sua presença de palco e da construção visual e conceitual de seus shows. Já o disco “Nume”, que agora ganha desdobramento em “Nume Epílogo”, ultrapassou 200 milhões de streams e também recebeu nove certificações, incluindo três de Platina — para o álbum, e para os singles “Acima de Mim Só Deus” e “Da Onde Eu Venho”.
Mais do que um reflexo de sucesso comercial, “Nume Epílogo” reafirma o papel de Ret como uma figura central da música urbana brasileira contemporânea. Ele é parte de uma geração que surgiu antes da consolidação do streaming e soube atravessar mudanças na indústria com visão estratégica, mantendo sua base artística e expandindo sua atuação como gestor, comunicador e mentor de novos nomes da cena, à frente do selo Nadamal Records.
“Nume Epílogo” é o fechamento de um ciclo muito importante pra mim. Além da conclusão conceitual, ele completa a vivência que iniciei no primeiro projeto. Nesta segunda parte, eu trouxe participações que realmente admiro e que fazem parte da minha história. Apresentei outras camadas que fazem parte do mesmo núcleo, complementa, Filipe Ret.
Caminhando para o final, “Nume Epílogo” chega à faixa “Absolvido Por Deus”, em um aceno à sonoridade da banda Charlie Brown Jr., da qual Ret é fã declarado, reforçado pelo contrabaixo de Heitor Gomes, antigo membro da banda. Mais uma vez, o rapper comprova sua versatilidade, agora rimando sem beats eletrônicos, acompanhado por orquestração formada por guitarra, baixo e bateria.
E assim, Filipe Ret encerra a canção, e o álbum, afirmando que “Se tiver que voltar pro início faço tudo de novo.” A julgar por sua trajetória, dos bancos de praça da Lapa até o topo da cena do rap no Brasil, olhar para trás e recomeçar sempre foram parte do caminho.
