Tudo que a escritora Cidinha da Silva aprendeu com a filósofa Sueli Carneira, ela compartilha em seu novo livro “Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior: 81 lições do Método Sueli Carneiro” (ed. Rosa dos Tempos). São lições de amor, escuta e ancestralidade que aprendeu com uma das maiores intelectuais em atividade.
Cidinha agora leva o lançamento para vários lugares do Brasil e, no próximo dia 26 de março, será em Goiânia, no Ponto de Cultura Malunga (Grupo de Mulheres Negras Malunga) com roda de conversa, discotecagem afro-brasileira e venda exclusiva do livro. O evento é gratuito a partir das 19h e integra a programação do Clube de Leitura Malunga deste ano.
O encontro entre Cidinha e o público goiano propõe uma conversa aberta sobre formação política e ancestralidade que a autora reuniu ao longo de mais de três décadas de convivência com Sueli Carneiro, uma das maiores intelectuais negras brasileiras em atividade e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra.
A obra também integra as comemorações dos 75 anos de nascimento de Sueli Carneiro e apresenta 81 lições que sintetizam aquilo que Cidinha denomina de “Método Sueli Carneiro” — uma forma de pensar, agir e enfrentar o mundo inspirada na trajetória intelectual e política da filósofa.

Nos textos breves e afiados que compõem a obra, aparecem ensinamentos marcantes como “A fúria é banta” e “Não abra espaço com os cotovelos”, entre outros aprendizados compartilhados diretamente por Sueli ao longo de décadas de amizade, militância e formação.
Considerada uma das principais vozes da literatura negra contemporânea brasileira, Cidinha da Silva possui mais de duas décadas de atuação na literatura e no pensamento sobre relações raciais. Entre seus livros premiados estão “Um Exu em Nova York”, vencedor do Prêmio Biblioteca Nacional em 2019, e “O mar de Manu”, premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte em 2022.
Mais do que uma homenagem, a obra apresenta um olhar sensível sobre a formação política e intelectual de uma mulher negra que transformou o pensamento social brasileiro. No centro do livro está uma relação de amizade, aprendizado e compromisso com a justiça social, inspirada nos ensinamentos simbólicos de Exu e Ogum e na tradição de honrar as mais velhas.
Malunga agora é Ponto de Cultura
O evento no Ponto de Cultura Malunga integra as ações do clube de leitura do grupo, iniciativa voltada à valorização da produção intelectual negra e à promoção de espaços de debate sobre literatura, memória e pensamento crítico.
Depois de 26 anos de caminhada, luta e cuidado coletivo, o Grupo de Mulheres Negras Malunga foi reconhecido como Ponto de Cultura, com certificação da Política Nacional de Cultura Viva (Lei nº 13.018/2014), do Ministério da Cultura.
Esse reconhecimento não é só um título. É a legitimação de uma história construída desde 1999, no território goiano, com impacto no Centro-Oeste e no Brasil, fortalecendo o feminismo negro, a cultura viva, os direitos culturais e o bem viver das mulheres negras e das comunidades tradicionais. Malunga segue reafirmando a cultura como direito, o cuidado como prática política e as mulheres negras como protagonistas.
