sábado, junho 13, 2026

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Tyler, The Creator, Doechii e nova geração do rap marcam Lollapalooza 2026 em edição histórica

A 13ª edição do Lollapalooza Brasil, realizada nos dias 20, 21 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, consolidou mais uma vez o festival como um dos maiores eventos de música da atualidade. Com um line-up diverso, reunindo mais de 70 atrações, a edição de 2026 se destacou não apenas pela grandiosidade, mas pela curadoria atenta e conectada aos movimentos da música contemporânea.

Em um fim de semana ensolarado, o que foi um verdadeiro presente para o público, o festival reuniu em torno de 260 mil pessoas e apresentou um line-up alinhado às principais tendências da música contemporânea, com nomes do cenário nacional e internacional. A proposta de diversidade de gêneros, que condiz com as origens do evento, lá no ano de 1991, se refletiu na programação, que tem ampliado o espaço para vertentes como rap, R&B e funk. A presença crescente desses estilos aponta para uma transformação no perfil dos grandes festivais e reforça o protagonismo da música independente e urbana nos palcos globais.

O grande destaque da edição ficou por conta de Tyler, The Creator, headline da edição, responsável por encerrar o festival com uma performance intensa e arrebatadora. Em sua aguardada volta ao Brasil, após um cancelamento em 2018 e mais de 15 anos após sua primeira passagem com o Odd Future, o artista entregou um show marcado por forte presença de palco e conexão imediata com o público, consolidando um dos momentos mais memoráveis da história recente do Lollapalooza no país. O artista destacou no repertório faixas de seus trabalhos mais recentes, Chromakopia e Dont Tap The Glass. Um dos momentos mais marcantes da noite ficou por conta do coro puxado por milhares de fãs em “See You Again”, do álbum “Flower Boy”.

Ao longo dos três dias, a programação dedicada ao rap e ao hip-hop evidenciou a potência e a diversidade da cena. Na sexta-feira, Stefanie MC abriu os trabalhos apresentando faixas de seu álbum “BUNMI”, disco lançado em 2025, que consolida a trajetória de mais de duas décadas da rapper e a coloca definitivamente na cena como um dos grandes nomes do rap. Na sequência, Negra Li emocionou o público com um show que transitou entre o rap e o R&B, incluindo a cover “Maria da Vila Matilde” de Elza Soares, levantando um discurso urgente ao palco sobre violência de gênero. Negra Li emocionou o público ao trazer seus dois filhos ao palco, sentados à mesa para homenageá-los na música “Filhos”. Sua apresentação e o prestígio que recebeu do público reforçam sua relevância como uma das vozes mais importantes da música negra e R&B nacional.

Fechando o line-up de rap do primeiro dia, tivemos outra grande apresentação: a norte-americana Doechii, uma das maiores revelações recentes do rap mundial, que entregou uma performance marcada por forte carisma e domínio total de palco. Em um show enérgico, a artista percorreu seus principais sucessos, como “Anxiety”, “Alter Ego” e “Denial is a River”, cativando o público e confirmando seu status de destaque da nova geração.

No sábado, o lendário grupo Cypress Hill trouxe ao festival sua icônica sonoridade de rap west coast e orgulho latino, construídos desde os anos 90, com a inconfundível voz de B-Real e Sean Dog. Mesmo diante de um público majoritariamente voltado a outras atrações pop do dia, o grupo reuniu fãs fiéis e entregou uma apresentação sólida, com clássicos que seguem atravessando gerações, como “Insane In the Brain”, “Hits from the Bomb”, abrindo com a esfumaçada “I Wanna Get High”. Antes deles, tivemos o Febre90’s, duo carioca formado pelo MC Pumapjl e beatmaker SonoTW, com suas famosas balaclavas reverenciando a cultura hip-hop e um saudoso boom-bap anos 90 de rimas afiadas. No mesmo dia, Crizim da ZO apresentou uma mistura de funk experimental com elementos psicodélicos, rock e música brasileira eletrônica.

No domingo (22), encerrando a programação em seu último dia, o evento destacou a pluralidade da música urbana contemporânea. A artista Nina do Porte, diretamente do Rio de Janeiro, levou ao palco uma performance que mesclou funk e trap, com forte presença de dança e elementos do passinho.

Ainda no domingo, Fabrício FBC levou ao palco um show que combinou irreverência e crítica social, hasteou a bandeira da Palestina e explorou a fusão de rap, trap, funk e MPB, com músicas de seus álbuns “Baile, O amor, o perdão e a tecnologia irão nos levar para outro planeta” e de seu mais recente lançamento “Assaltos e Batidas”.

Nos palcos dedicados à música eletrônica e à discotecagem, nomes como Marcinho Bravo e Black Cat reforçaram a diversidade estética do festival e ampliaram a presença da cultura urbana em diferentes formatos.

Com uma curadoria consistente, diversa e alinhada ao presente, o Lollapalooza Brasil 2026 se consolida como uma edição de grande impacto, reafirmando o festival como um termômetro da música contemporânea e um espaço cada vez mais ampliado à pluralidade de vozes, artistas, gêneros e sonoridades de todo país e do mundo.

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