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quinta-feira, fevereiro 22, 2024

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Thiago Elniño: “A maioria da molecada que está fazendo rap hoje não se importa com a cultura hip hop”

Filhos de Um Deus que Dança [EP]
Capa EP “Filhos de Um Deus Que Dança”, de Thiago Elniño
“Filhos de Um Deus Que Dança” é o nome do novo EP de Thiago Elniño, MC que continua difundindo a religiosidade de matriz africana e combatendo o preconceito dentro e fora do hip hop. Com produção de Nave, o EP de Elniño traz o culto aos Orixás como foi condutor de suas histórias e rimas.

Saiba um pouco mais sobre o artista nesta entrevista exclusiva que foi concedida ao ZonaSuburbana.

 

Ouça o EP “Filhos de Um Deus Que Dança”, que está disponível para download gratuito, clicando AQUI.

ZS: Quando lançou seu primeiro single, você falou sobre sua introdução na religião de matriz africana, contou sobre seus medos e sobre desconhecimento. Sua fé está mais fortalecida hoje?

Thiago Elniño: Completamente, tenho uma vivência bem intensa na Umbanda, com cargo na casa que frequento e uma proximidade muito forte com o Candomblé, o desenvolvimento do meu tipo de mediunidade vem sendo bonito e tranquilo e sou muito bem assessorado espiritualmente, fora isso sinto uma liberdade e propriedade bem grande para dialogar e assimilar diferentes espaços de fé, Tem sido muito bom para mim!

ZS: Como foi mesclar o rap, influências da umbanda e uma produção refinada e atual? Neste EP, seus parceiros e produtores entenderam a parada? Houve dificuldades?
Thiago Elniño: Quando minha relação com os Orixás se deu, eu e o Nave já estavamos trabalhando juntos e a ideia é que focaríamos em uma sonoridade e tamática ligadas à Folia de Reis, que já dialogava com esse universo que estou hoje, então a gente só adaptou um pouco. O Nave é um cara bem fácil de trabalhar e um ser humano que gosto muito, generoso e que te ouve muito, acredito que até por isso ele é um produtor tão reconhecido e querido, por que ele consegue ler o universo do MC e conseguiu ler o meu, também conseguiu trabalhar as mudanças de ideia que fui tendo no caminho, foi tudo muito simples, leve e natural, no ponto de produção não houveram dificuldades! As influências foram mais do Culto aos Orixás que da Umbanda em especifico. Em um primeiro momento, houve algum receio: como o trabalho seria recebido, mas foi tudo absolutamente positivo, até alguns enfrentamentos por preconceito, no início, conseguiram ser revertidos a partir da hora que, através do dialogo, as pessoas conseguiram entender mais nosso universo.

ZS: Terreiros continuam sendo invadidos, destruídos, incendiados. Acha que os artistas do rap deveriam se posicionar diante dessa realidade, sejam de qualquer religião?
Thiago Elniño: Não é uma questão dos artistas do rap, é uma questão do todo cidadão minimamente informado e comprometido com uma sociedade em que se respeite as diversidade, nesse contexto, a gente tem interagido com uma sociedade bastante preconceituosa e reacionária, o rap, como música, acaba refletindo isso quando não dialoga com os conceitos básicos da cultura hip hop, e a maioria da molecada que está fazendo rap hoje está cagando para a cultura hip hop, eles encontraram o rap em outro espaço e, nesse espaço, o sinal de plaque de maço de dinheiro imaginário com as mãos ganhou o espaço dos punhos cerrados, e aí a gente tem essa grande merda que é poucos artistas de rap se posicionando diante do monte de covardia que o povo preto sofre todos os dias, que vai do exterminio em massa pela polícia, algo que eles maqueiam como guerra contra as drogas, mas na verdade é uma higienização social, principalmente em periodos de grandes evento como as olimpíadas, até na opressão de espaços de religiosidade de matrizes africanas, que são onde se encontram mais preservados traços de nossas matrizes culturais e filosóficas. A existência dos Terreiros é uma grande inimiga do patriarcado europeu capitalista, que vê na aquisição de valores ancestrais pelo povo preto um grande dificultador de manter uma escravização moderna que se dá de diversas formas, inclusive colocando a gente para trabalhar oito horas por dia com um salário de merda.

Mais informações acesse: www.facebook.com/thiago.elnino

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