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Theuzitz - Conversando com Espíritos

Theuzitz lança a mixtape “Conversando com Espíritos”, explorando a colagem de samples para firmar diálogo com espíritos e décadas

por ZonaSuburbana

Theuzitz já é conhecido da cena alternativa por seu “rock de terceiro mundo”, como ele mesmo define. Tendo lançado “Peso das Coisas”, sua última mixtape, em 2016, e alguns singles isolados, como “Flanar” e “Aniversário”, o compositor passou por um período de aproximações e afastamentos com diversos aspectos da sua produção musical e aprendizados técnicos para tentar entender, enfim, o que buscava dizer com uma obra artística, de forma autônoma e autoconsciente.

Nesta sexta-feira, 11 de dezembro, o músico lança sua esperada mixtape “Conversando com Espíritos” em todas as plataformas. Precedida por três single-clipes lançadas desde o ano passado, “Noite II”, “Dormir Machuca (part. Valciãn Calixto)” e “Chao Chao”, a coleção de faixas se mostra como um cartão de visitas de como Theuzitz quer se fazer entender enquanto compositor, rapper, instrumentista, produtor e artista – amadurecendo as sonoridades ligadas ao “rock triste”, que marcaram suas estreias, e avançando em direção a experimentações com samples, música brasileira e rap em vídeos dirigidos também por ele mesmo.

O registro sonoro do trabalho propõe testar diferentes ideias em um diálogo de reverência a diversas décadas, artistas e pessoas que já se foram. E Theuzitz executa isso através da mistura de som orgânico e samples. Neste processo, ele cita recortes sonoros de uma série de artistas: Leonard Cohen, Charlie Brown Jr., Brian Eno, Manu Chao, Racionais MC’s, Mantronix, Anitta, Velvet Underground, Black Sabbath, Milton Nascimento, Frank Ocean, Oasis, Criolo, Marvin Gaye, Duda do Marapé e MC Magrão.

Ouça “Conversando com Espíritos”, abaixo:

Evocando diferentes lugares enunciativos, seja rimando ou cantando melodicamente, Theuzitz apresenta 9 histórias protagonizadas por ele e ilustradas com diversas referências musicais que passeiam pelo rap/r&b, música religiosa, noise, MPB e rock alternativo, tocando de maneira íntima seus afetos e que, invariavelmente, se cruzam com as pautas raciais, de sexualidade e espiritualidade – que também reverberam no Brasil de 2020.

Exemplo disso é “Punks”, que conta com a participação especial de Noguchi. A faixa apresenta diálogo entre um “homem preto e um homem amarelo” e discorre sobre questões de pertencimento e linguagem: “Os homens não falam a minha língua / São meio carne meio lata / São pontes e alegorias (…) Eu não falo a língua desse homem / E nem do outro homem / Só enxergo o ponto cego / Do que eles tem a me mostrar / Já vivi tantas vidas nesse lugar / Que nem sei o que não sou”. Theuzitz explica que o cruzamento entre os samples do Duda do Marapé e o medley do MC Magrão ao fim da música: “Duda fez parte da onda dos MC’s da baixada santista que foi assassinada no final da última década, enquanto o medley do Magrão foi uma música gravada de dentro de um presídio. O choque dos dois, meu e do Noguchi, é um questionamento a respeito do que exatamente é liberdade nesse mundo colonial, onde corpos não-brancos conseguem exercer esse direito apenas na Arte”.

O artista buscou “promover libertação”, a partir da sua própria, para “nos conectarmos de maneira mais profunda com o que a gente realmente é”, nas suas próprias palavras. Ele explica que cada música é “uma conversa diferente com esses espíritos. Espíritos desencarnados, espíritos de uma época, entidades e outros espíritos que eu mesmo materializo enquanto escrevo. As músicas dessa mixtape não são necessariamente afirmações muito assertivas sobre determinados assuntos, mas sim proposições de possibilidades. Nossa história e o nosso caminho não se dão por uma via única.”

Além da participação de Noguchi, a mixtape conta com diálogos e contribuições de outros artistas espalhados pelo país: SVI, em “Conversando com Espíritos”, Valciãn Calixto, em “Dormir Machuca” e Wagner Almeida, em “Desculpa”, que foram realizadas de forma remota ao longo do processo de composição do trabalho.

Para além do movimento de colagens e caixas de diálogos múltiplas, Theuzitz também se põe a testar a linguagem tratando o que quer dizer de forma mais objetiva e autônoma do que nos seus primeiros trabalhos. Tudo isso pode ser ilustrado pelo próprio desenvolvimento da mixtape, em que Theuzitz compôs, produziu, gravou, mixou e masterizou todas as músicas em seu estúdio.

A mixtape foi precedida por três single-clipes. O primeiro, lançado ainda em 2019, “Noite II”, foi produzido por Gabriel Yuri (MIG Produções); “Dormir Machuca” e “Chao Chao” tiveram a fotografia de Gabriel Hayashi e a edição de Capitão Ahab. Todos eles dirigidos por Theuzitz. A capa da mixtape é assinada por Yasmin Kalaf (Cavaca Records) e pelo fotógrafo Bruno Queiroz.

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