quinta-feira, junho 4, 2026

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Setor Norte lança clipe de “Herói”, single em que mira na elite e denuncia racismo estrutural

O duo carioca Setor Norte, formado por Pedro Yuka e Rômulo Catharino, lança nesta quinta-feira (30) o videoclipe do single “Herói”. Dirigido pelo conceituado Ronald Land, que já trabalhou com nomes como Planet Hemp, BK e L7nnon, o vídeo traz um mix entre imagens do duo contra um fundo infinito, trechos de um show privado realizado na Altafonte exclusivamente para o vídeo e cenas de confronto entre a polícia e manifestantes. Ouça nas plataformas.

Com versos fortes como “Vai ver se no Leblon tem invasão? /Vai ver se no Leblon tem Caveirão? /Vai ver quem ganha com essa armação? /Fuzil na mão /Corpos no chão”, o videoclipe chega em um momento pesado em que o refrão parece ser uma visão fielmente descritiva do massacre realizado nesta terça-feira no Complexo do Alemão e da Penha, quando na verdade é apenas a denúncia de mais uma tragédia anunciada e recorrente no Rio de Janeiro há décadas.

Enquanto uma operação policial deixou mais de 120 moradores mortos, se tornando desde já a mais brutal da história das favelas cariocas, versos como “Todo dia morre mais um que poderia ser MC ou B-boy/ Baleado porque não tinha a cara dos Back Street Boys/Enquanto o avião da FAB carrega a farinha dos super-heróis”, embora mais dolorosos, parecem também mais necessários do que nunca. “Infelizmente isso vai acontecer várias vezes ao longo do nosso trabalho, porque não é a primeira nem a última letra em que vou falar sobre isso”, lamenta Pedro Yuka, vocalista e letrista do duo. “E essa não vai ser a última operação que o BOPE vai fazer e vai matar um monte de gente no Rio de Janeiro, pois isso é um assunto recorrente”.

Para ele, a arte precisa se posicionar veementemente contra esse tipo de episódio. “É meio triste estar presenciando e vivenciando tudo isso e, como artista, contar isso mais uma vez. É triste por saber que provavelmente não vai ser a última, porque isso faz parte de uma política de terror que acontece desde que eu sou criança e me entendo por gente. Meu irmão falava sobre isso 30 anos atrás, e eu infelizmente tô falando sobre isso agora de novo. E o que mudou no Rio de Janeiro?”, desabafa o artista, referindo-se ao irmão Marcelo Yuka, ex-integrante do O Rappa.

A letra de “Herói” faz uma crítica contundente à diferença de tratamento entre os moradores da favela e os dos bairros mais ricos, ressaltando a diferença de oportunidades e o jogo dos engravatados que perpetuam esse tipo de desigualdade.

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