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terça-feira, março 5, 2024

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Rapper baiano, TAS lança o disco “Sobre Verdades”

Numa Salvador marcada por violência, inquietação e inseguranças, o rapper TAS lança o segundo disco de sua carreira. “Sobre Verdades” lançada nesta quinta-feira (19) em todas as plataformas de áudio e traz uma série de críticas, reflexões e questionamentos de olho em um novo mundo, onde, principalmente, a população negra possa viver de uma maneira digna, diferente do jeito que o próprio TAS conheceu até aqui.

Sobre Verdades” conta com participação de Raffa Muñoz, indicado ao Grammy Latino por “Meu Esquema”, disco da também baiana Rachel Reis, assinando duas faixas do disco: “Nego Drama 2 (Carta a Mano Brown)” e “A volta pra Casa”, feat com a cantora Júlia Rocha, ex-The Voice Brasil e finalista do prêmio Jabuti em 2021. O álbum ainda conta com a primeira colaboração internacional de sua carreira, com Alexay Beats, produtor francês que já trabalhou com Ludmilla, Akon, Joey Badass, Havaianas e Puma, e que assina a quarta faixa do trabalho.

Antes do lançamento do álbum, que conta com 8 faixas, TAS lançou o single “Na Caça do Dinheiro”, com clipe oficial.

Pensei que era a hora de trazer um novo disco. Não gosto muito da lógica de single, que você lança, bate uma semana e morre. Prefiro trabalhos, conceitos, coisas mais concretas, que duram mais tempo. Me senti muito inspirado pelo disco de Don L, temos muitas concordâncias de ideias, concepção. Ele é um norte. Sendo a pessoa que é, fazendo a música que ele faz, ele é chamado para festivais, toca, vive de música. Ele me mostra que é possível e existe um público para trabalhos assim”, explica TAS.

Um dos maiores orgulhos do artista neste trabalho é a capa. Ele aponta que ela simboliza o conceito do disco, que é melhor explicado na faixa “A Profecia”: iniciada com uma fala do pastor Henrique Vieira no programa “Provoca”, apresentado por Marcelo Tas. Henrique faz uma leitura de Jesus como um libertador de seu povo. Cristo seria um sobrevivente de um genocídio operado pelo Estado (representado no império romano na figura de Herodes).

O nome do disco é “Sobre Verdades” por partir de uma lógica de trazer essas coisas que a gente até sabe, mas são distorcidas, omitidas, escondidas. É a verdade das ruas, de quem vê o mundo como realmente é. Algumas músicas são mais de protesto, trazendo uma ideia de um novo mundo. Outras falam de mim, outras são mais sentimentais, narrando a vida de um trabalhador. No final das contas eu não falo de mim, eu falo de nós, do coletivo”, completa TAS.

O paralelo da capa consiste diz que, assim como Jesus foi sobrevivente de um genocídio operado pelo estado (que mandou matar todos os meninos), cada jovem negro no Brasil é também sobrevivente um plano de extermínio, onde Tas se coloca, igualmente a Jesus, como esse libertador de seu povo, que atua pela palavra, pela música.

A ideia de falar do coletivo é muito cara a TAS, que, em “Sobre Verdades”, mostrou de vez como ele encontrou na música um caminho para se expressar, falando de si, mas também pensando no mundo ao seu redor. A diversidade que marca o trabalho em relação aos beats e até aos diferentes estilos abraçados pelo rap é vista dentro dos beats e nas temáticas trazidas. “Sempre quis provar a versatilidade, mostrar que consigo fazer de tudo. Penso que as pessoas podem me escutar com trap, boombap. Trago boombap com um clássico do rap nacional que é Nego Drama, do Racionais; tem um drill, que é um gênero que me encontrei muito, unindo uma batida mais acelerada, mas com rimas, ideias. Trago o rap de crítica, de protesto. Também tem um trapfunk, em minha primeira colaboração internacional da carreira”, finaliza TAS.

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