Os rappers MD Chefe e Major RD se unem na inédita “Reunião de Matuto”, faixa que chegou às plataformas digitais na quarta-feira (13), acompanhada de videoclipe.
A música, escrita por MD Chefe e Major RD, carrega uma narrativa de identidade preta, conquistas e ostentação, além de tecer críticas diretas a políticas públicas que vêm sendo vistas como formas de censura e silenciamento cultural. Sobre o atual momento do rap e a parceria com Major RD, MD Chefe destaca: “O rap tem sido muito atacado só pra gerar mídia. Quero mostrar que o dinheiro que a gente tá fazendo hoje vem de muita luta e batalha, e que nós somos homens de negócio. Nossa música é coisa séria. O Major é um dos caras mais autênticos do rap e passa uma identificação real para quem ouve”.
No centro da polêmica está o Projeto de Lei 26/2025, de autoria da vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo, que proíbe a contratação de artistas com conteúdos considerados misóginos ou que supostamente façam apologia ao crime. Para muitos nomes da cena do funk e do trap, a proposta abre brechas para perseguição seletiva e moralista, atingindo principalmente artistas negros e periféricos. Esses artistas argumentam que, ao cantarem sobre suas realidades, não incentivam a violência, mas denunciam o crime, a desigualdade e a brutalidade policial que marcam o cotidiano das periferias.
Em um dos versos mais incisivos, Major RD canta: “Eu tô preocupado com a vereadora Amanda Vettorazzo / Que não consegue dizer o motivo da morte do jovem lá do Santo Amaro”, antes de denunciar o que chama de “linguagem do ódio”. Ao comentar o peso social de suas rimas e a inspiração para o trecho, Major RD afirma: “Costumo falar que eu sou repórter da minha área. Falo tudo o que eu vejo e canto sobre o que ouço, e o que me falam. Da minha parte só relato os últimos acontecimentos tristes do Rio de Janeiro, e conto um pouco sobre nós também”.
O videoclipe de “Reunião de Matuto” aposta em uma estética cinematográfica inspirada no velho oeste para dar vida ao conceito da faixa. Com figurinos imponentes e ambientações que evocam o universo clássico dos cowboys, a produção visual foi gravada em parte no Rancho Verão Vermelho, em Paciência, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. As referências marcantes à cultura western dialogam diretamente com a mensagem da música. A obra mistura orgulho da origem, afirmação da identidade preta e crítica social, criando uma atmosfera de duelo simbólico contra as estruturas de opressão.
“Nossa música ‘Reunião de Matuto’ questiona a morte do Herus, jovem de 24 anos que foi morto por tiros disparados em uma ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em uma festa junina no Morro do Santo Amaro. Políticos como a vereadora Amanda Vettorazzo foram eleitos para representar o povo. A nossa música apontou para um problema de violência que diz respeito ao povo. Porém ela só conseguiu nos responder com ofensa. Somos pais, empregamos gente, sustentamos famílias com o rap. Só pedimos respeito. Nosso trabalho é sério e sempre questionará quem agir de má-fé com os nossos”, relata MD Chefe.
