sexta-feira, junho 5, 2026

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Malunga realiza cuidado coletivo e ancestral antes da Marcha das Mulheres Negras 2025

Entre as 300 mil mulheres de todo o Brasil que ocuparam a Esplanada dos Ministérios durante a Marcha das Mulheres Negras – Por Reparação e Bem Viver no dia 25 de novembro de 2025, mais de 50 vieram através do Grupo de Mulheres Negras Malunga, de Goiás. Fundado em 1999 e referência nacional no feminismo negro, o coletivo Malunga completou 26 anos reafirmando sua essência: o de fortalecer umas às outras.

A participação do grupo na Marcha começou antes de chegarem às ruas. Logo pela manhã, as mulheres do Malunga se reuniram para um momento de cuidado coletivo e ancestral, repleto de práticas de autocuidado que incluíram escalda-pés, exercícios de respiração, conversas acolhedoras e troca de experiências. Algo sobre bem viver.

[Foto: Thaysa Caetano – @fotocomalma_]

O momento foi marcado por um encontro de gerações. De um lado, as fundadoras do Malunga, Sonia Cleide, Maria do Carmo, Valdicelia Pedreira, entre outras mulheres que já lutavam por pautas do feminismo negro em um cenário político e social hostil. Do outro, jovens que chegam ao movimento em busca de afeto, orientação e pertencimento. Ali, entre conversas, mãos estendidas, água morna, ervas e sais, elas se reconheceram.

Foi um momento de muito aprendizado e autocuidado. Pensar esse lema da Marcha, que é reparação e bem viver, e o que o Malunga vem proporcionando para as mulheres mais novas é muito importante. A passagem de legado é rica demais, porque estamos vivendo um movimento forte de afirmação das mulheres negras.”, relatou Sicarú Mar, 20 anos, estudante e pesquisadora da área de gênero e educação.

A fotógrafa Thaysa Caetano (@fotocomalma_), que acompanhou o grupo durante a Marcha, registrou a oficina de escalda-pés pela primeira vez. “Aquele momento foi muito emocionante. Eu acho que tocou profundamente várias mulheres. Era algo diferente”, comentou a profissional.

[Foto: Thaysa Caetano – @fotocomalma_]

O cuidado também mobilizou memórias pessoais. Janaina Darques, de 49 anos, é a única mulher negra especialista em regulação na Agência Nacional de Energia Elétrica, destacou a força daquele encontro.

“Foi muito especial estar naquela roda de cuidados feitas por nossas mais velhas, sendo cuidadas e ouvindo depoimentos. Não era só uma preparação para a Marcha, mas para todos os passos que daremos depois dali. E ainda dividir esse momento com a minha irmã Alessandra Vanessa… Muitas vezes segui os passos dela antes de trilhar o meu próprio caminho. Cuidado em família também é bem viver.”, disse Janaína.

A força simbólica da manhã se refletiria horas depois na Marcha, que ganhou as ruas também em uma data emblemática: 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. O tema guiou discursos, cartazes e intervenções, incluindo a fala da jovem ativista goiana Marta Melo, de 22 anos, representante do Comitê de Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça. Ela foi direta ao nomear o que muitas mulheres negras sentem todos os dias.

“Nós, mulheres negras, precisamos de acolhimento e autocuidado. Chega de olhar pra gente como se fôssemos uma garganta que aguenta tudo, calada. A gente precisa também pautar o acolhimento, que existam espaços que cuidem da nossa saúde mental e física — e é por isso que marchamos hoje em Brasília” , afirmou a ativista duante a coletiva de imprensa da Marcha das Mulheres Negras 2025.

A fala reverbera como um lembrete da urgência da pauta. Vale destacar que o nome Malunga significa “companheira” e sintetiza o que se viu em Brasília: mulheres que marcham juntas, que dão as mãos e fortalecem a caminhada umas das outras. Na capital federal, elas reafirmaram não apenas suas reivindicações por reparação histórica, mas também o compromisso de seguir construindo um caminho possível — e coletivo — para as futuras gerações. E que reparação e bem viver são práticas diárias cultivadas no cuidado, na escuta, na ancestralidade e também nas decisões políticas.

Confira mais imagens do momento de cuidado coletivo e ancestral realizado pelo Malunga antes da Marcha das Mulheres Negras 2025. Fotos por Thaysa Caetano:

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