Quando Joabe Reis toca seu poderoso trombone, uma frase do escritor russo Leon Tolstói parece ressoar entre os acordes: “se queres ser universal, começa por pintar a sua aldeia”. Este é o conceito sonoro desenvolvido no álbum “Drive Slow – A Última das Fantasias”, mais novo trabalho solo do instrumentista capixaba e lançamento em parceria com o selo Batuki Records, que será lançado nesta quarta-feira, 27 de janeiro, mesma data em que Joabe apresenta o show de lançamento no SESC Pinheiros.
Com nove faixas, e a maior parte delas autorais, o álbum dialoga com diferentes correntes musicais, transpondo rasas dicotomias e propondo um encaixe perfeito entre o local e o global, o popular e o sofisticado. O novo trabalho conta ainda com vozes e composições de Gabi Câmara, Heloá Holanda e Bia Ferreira. E a coautoria de algumas faixas é de Marcelo de Lamare.
“O meu som já é conhecido como música instrumental, mas desde meu último álbum (o disco ‘028’) venho sentindo a necessidade de imprimir uma digital mais forte de brasilidade nas minhas composições e arranjos”, comenta Joabe Reis.
Há muitas sonoridades brasileiras salpicadas ao longo de “Drive Slow”. Na música “Corre”, terceira faixa do álbum, a cantora Bia Ferreira fala sobre racismo e preconceito, em um feat com a canção “Cordeiro de Nanã”, dos Tincoãs.
A influência gringa, sobretudo do UK Garage, um ritmo sincopado dos anos 1990 nascido na Inglaterra, também agrega no caleidoscópio musical do novo trabalho. O gênero aparece combinado com tantas outras manifestações artísticas, como o Hip Hop e o Rhythm and Blues (R&B).
A música de abertura, “Pica Pau no Vidigal”, ilustra bem esse amálgama. Abre com o arranjo de metais da canção do Sítio do Pica-Pau-Amarelo, de Gilberto Gil, e se estende para um grande show de baile.
“Ao longo da minha carreira eu toquei com tanta gente (Anitta, Gloria Groove, Xênia França, Il Volo, Macy Gray, Ivan Lins) que fui absorvendo elementos de cada um deles. Trouxe essa grande miscelânea para este novo disco, mas sem perder a perspectiva de ser um trabalho instrumental brasileiro e com o intuito de propor um pé no freio em meio à nossa rotina caótica”, diz Joabe Reis.
Em abril de 2025, Joabe já havia lançado o primeiro single, homônimo ao novo álbum. A canção foi feita em parceria com o rapper Zudizilla e o trompetista americano Theo Croker. Agora, com o projeto completo, ele prepara um grande show de lançamento de “Drive Slow – A Última das Fantasias”, que acontece no dia 28 de janeiro, às 20h30, no SESC Pinheiros, em São Paulo.
“A ideia do show em um espaço como o Sesc obedece a uma das bandeiras que carregamos com este novo álbum e também na minha carreira. A de popularizar a música instrumental, mas sem perder a essência e sofisticação dela. Queremos que este gênero seja cada vez mais acessível ao grande público, mas sem rebaixar sua qualidade sonora e seu poder de provocar e instigar o público”, arremata.
