A devoção ancestral está enraizada em toda a extensão artística da brasiliense Janine Mathias. Filha de carioca com uma baiana, foi do seu avô materno — forrozeiro e pandeirista — onde a história do seu rap com samba resplandece. De Brasília à Bahia, radicada em Curitiba, a cantora anuncia o lançamento do seu novo clipe, “A Bahia Virá”, composição presenteada à ela por Rodrigo Campos e Rômulo Fróes, com audiovisual gravado na Terra de Todos os Santos e em Curitiba, com direção de Oruê Brasileiro.
Se em 2024, quando lançou o single “A Bahia Virá”, o encanto da arte do encontro pulsou sobre os feitos da composição inédita assinada em parceria entre Rodrigo Campos e Rômulo Fróes, especialmente para Janine Mathias; hoje, após um ano de lançar a música do segundo clipe de seu novo álbum, “O Rap do Meu Samba” – previsto para o segundo semestre — resplandecem a Janine Mathias, a necessidade de consagrar à matiz da sua história, enraizada entre a Bahia, Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília.
“Quem convive comigo, sabe que nada na vida é sorte. É axé. Com ‘A Bahia Virá’, essa relação entre a minha arte e a ancestralidade é um caminho único. Eu estava na Bahia quando recebi o contato do Rodrigo Campos falando que tinha feito uma composição com Rômulo Fróes, prontamente me presentearam. Depois que eu gravei a música, a jornalista Bruna Alves sugeriu gravarmos o clipe. Foi quando eu vi que o Oruê estava filmando na Bahia. Foi a arte do encontro. E de fato, a Bahia veio”, rememora Janine Mathias.
Além de reverenciar o seu axé, a relação cultural baiana tem sido uma verdade sagrada e enaltecida em cada single divulgado pela artista para promover o segundo disco. Ainda assim, esse manto sagrado cultivado por Janine, principalmente a partir da sua raiz familiar, é uma realidade em “A Bahia Virá”.
“A Bahia que reside em mim é a identidade da negritude, o amor pelas minhas tranças e a beleza do processo de representação de Xangô. Quem assistir ao clipe verá cenas impactantes de uma realidade bela, que coleta nossos sonhos, desenhando virtudes trazendo-a ao sol. Mais uma vez, o trabalho em equipe e a colaboração das pessoas ao meu redor tornaram este projeto possível, resultando em uma grande realização que enaltece a minha ancestralidade”, exalta a artista.
Oruê Brasileiro traz em sua narrativa poética e visual, uma Bahia que é vasta em suas particularidades. Conduzido pela composição vital de Rodrigo Campos e Rômulo Fróes, o videomaker traduz em imagens a cultura preta, reverenciando o cotidiano de uma história ancestral através de fragmentos onde Janine Mathias também honra a sua infinitude.
“Era mesmo uma ideia de documentar aquilo que eu estava vivendo tão intensamente para a minha memória e para quem sabe ter um acervo pessoal disso tudo. Depois de ter feito uma série de imagens ligadas ao candomblé, à minha religiosidade e ter conhecido meu Pai de Santo, Buda de Bobosa da Roça do Ventura, voltando de Cachoeira para Salvador, eu recebo essa mensagem da Janine propondo a produção do clipe. Nada é por acaso né. Voltando para Curitiba, a gente se encontrou, celebrou, assistiu às imagens e decidiu incluir algumas outras cenas com ela. Assim, surgiu a ideia de gravar no Mercado Municipal de Curitiba, buscando essa conexão de Curitiba à Bahia”, relata Oruê Brasileiro, responsável pela produtora Odaraê Filmes de Impacto.
“A Bahia Virá” sucede os singles em que Janine afirma a sua relação com Curitiba, e reúne compositores e letristas renomados do samba paranaense, como Léo Fé e artistas que integram a sua trajetória artística.
Em “Devoção”, a cantora regrava a canção dos bambas Rodrigo Paulo, Léo Fé, e Nego Chandi, com quem Janine trilhou diversos trabalhos como backing vocal no início da carreira.
Na composição da cantora Raissa Fayet, “Me Enfeita” é a música que caminha entre a percussividade e referências entre o indie e o rock. Ainda assim, traz em sua poética as referências da religiosidade de Janine e aventuras passionais carnavalescas.
Da essência carioca, em “Me Ilumina”, Janine Mathias se esbalda na referência paterna com a sua própria composição em um samba de gafieira contemporâneo.
E do single mais recente, “Barracão é Seu”, quase 60 anos depois de Clementina de Jesus (1901–1987) dar voz em seu LP homônimo de 1966 ao compositor João da Gente (1882–1937), Janine também bebe desta água do partido alto portelense, em fusão com o rap escrito por ela e exaltado pelo seu amigo Criolo.
Ainda enaltece na música do compositor carioca, referências do samba de roda baiano, com direito a prato e faca por Thomas Harres, coro com Val Andrade, Tito Amorin e Bruna Lucchesi.
O próximo lançamento que antecede o álbum “O Rap do Meu Samba”, será a música “Um Minuto”. Conhecida do público pelo álbum “Sambas do Absurdo, Vol. 2” (YB Music), onde Rodrigo Campos reúne as participações primorosas de Gui Amabis e Juçara Marçal, e também, outras parcerias de letra com Nuno Ramos e Rômulo Fróes. Faça o pré-save da música aqui.
