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Hamilton: o hip-hop dá voz à revolução e à união

Hamilton: o hip-hop dá voz à revolução e à união

por ZonaSuburbana

Com o tempo, o hip-hop mostrou que é uma ferramenta que dá voz à narrativa de eventos que marcam a história e, dentro do musical Hamilton, esse gênero se torna a base da crônica de um fragmento da independência dos Estados Unidos em relação à coroa britânica.

A música da independência

Hamilton, o musical de sucesso da Broadway, conta a história de Alexander Hamilton, um dos fundadores dos Estados Unidos, e de seu papel de liderança durante a guerra que provocou a independência do país americano. Sem dúvida, um dos pontos que mais atraem a atenção nesse musical é o fato de que ele conta essa história de luta e revolução através de gêneros musicais como hip-hop, R&B e soul de uma maneira magistral, o que rendeu a seu criador, Lin-Manuel Miranda, 11 Tony Awards de melhor peça de teatro pela União Americana.

Dessa forma, músicas de artistas como Busta Rhymes, Alicia Keys, Usher, Aloe Blacc, Wiz Khalifa, John Legend e Chance The Rapper são interpretadas pelos atores que dão vida aos personagens do musical, como o próprio Alexander Hamilton ou o rei da Inglaterra George III. A música contextualiza o papel que imigrantes como o próprio Hamilton e o marquês de Lafayette desempenharam para gerar um novo país.

George III é parente direto do príncipe Harry, e o atual membro da realeza do Reino Unido já subiu ao palco deste musical durante uma apresentação em Londres para cantar a primeira nota da música interpretada pelo ator que representa seu ancestral, mostrando, assim, seu gosto pelo trabalho e simbolizando o fato de que ambas as nações estão em paz com sua história.

O teatro musical e as vozes que lhe dão vida

Além de Lin-Manuel Miranda, que tem ascendência porto-riquenha e que foi o primeiro a estrelar o trabalho de sua inspiração, a grande variedade cultural que esse musical busca representar também conta com uma voz lusófona. Um dos atores que interpretam alguns dos personagens principais da obra é o português Nuno Queimado, parte fundamental do elenco, cujas origens são latina, africana, asiática e europeia.

Vale ressaltar que o grupo coral que participa do musical também já se destacou por apresentar músicas de Beyoncé, que, junto com seu marido, o rapper e produtor Jay Z, prestigiou a obra teatral e apoiou o trabalho de Miranda e seu grupo multicultural de músicos talentosos.

No Brasil, as expressões teatrais, estejam elas ligadas ou não ao universo dos musicais, dão destaque à música e à revolução em diferentes contextos, como demonstrou o grupo de atores da Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos em seu espetáculo Aboio, em que se expressaram de maneira lúdica sobre o nascimento, a vida, a luta e a morte.

Hamilton tem apresentações regulares em Nova York, San Francisco, Londres, Chicago e Sydney, além de já haver sido apresentado em Porto Rico e estar sendo adaptado para o alemão, com a colaboração de vários rappers originários do país. Um fato digno de nota é que o teatro musical oferece ao mundo a oportunidade de contar histórias de maneira criativa através da música e, no caso de uma história de luta e união, como a independência dos Estados Unidos, o hip-hop torna-se uma ferramenta ideal dentro do trabalho de Lin-Manuel Miranda.

O sucesso das adaptações para além do teatro

Embora ainda não haja planos de trazer o musical Hamilton para o Brasil nem de adaptar seu conteúdo às rimas de MC’s nacionais – ainda que diversos artistas brasileiros, como Seu Jorge, que, além de ser um talentoso cantor, já interpretou alguns papéis em filmes, incluindo o estrangeiro A vida marinha com Steve Zissou, demonstrem que o país daria conta de ter um casting à altura do musical – a indústria do entretenimento, para além dos palcos, está cheia de histórias de sucesso que misturam o histórico e o moderno.

Nesse contexto, os videogames são uma amostra de como é possível modernizar a história. Um exemplo disso é a saga Assassin’s Creed, da Ubisoft, que leva seus protagonistas ao centro de vários eventos históricos. Existe, aliás, um filme homônimo baseado na saga. Outro exemplo interessante nesse âmbito são os produtos oferecidos em plataformas de online cassino como o da Betway, que traz, em um de seus caça-níqueis, temáticas como a de Cleópatra às telas dos computadores, mostrando como é possível combinar aspectos culturais e históricos com a modernidade, assim como faz o musical Hamilton ao reunir parte da história dos Estados Unidos com o hip-hop.

Enquanto não vemos Hamilton desembarcar em território brasileiro e mesclar nossos músicos atuais com a história contada no enredo, a cultura dos musicais no Brasil aproveita para homenagear seus mitos nacionais e fazer arte a partir da história de vida dessas pessoas. Uma amostra dessas homenagens às figuras da cultura popular local foi Ayrton Senna, o Musical, show no qual a última corrida do ídolo do esporte nacional foi contada nos palcos brasileiros.

Como podemos ver, as várias expressões culturais através da música existentes mundo afora são prova de que, além do ritmo, o teatro musical serve como uma ferramenta de união entre raças e culturas ao redor do mundo, e a união de Hamilton com o hip-hop e outros ritmos é uma demonstração bem-sucedida disso.

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