“Bloco na Rua” é o primeiro disco de Dário Inerente e conta com produções de Barba Negra, Gvtx, Pedrvso, Neto (Síntese) e do próprio MC que aqui assume beats em 8 das 13 faixas. São Skit’s e Rap’s na mais pura essência, com rimas de alto nível, batidas elegantes e um pé na porta de alguém que diz – “estamos aqui!”.
A única participação vocal do disco fica por conta de Davzera na faixa “Dendê”, e o DJ Noé, também presente como convidado, deixa scratchs em duas faixas, enriquecendo a obra com a força desse elemento tão importante da cultura Hip-Hop. O projeto flui de beats boombap com samples de jazz em tempo dobrado, até o bom e novo drumless, com efeitos sonoros, colagens, e algumas faixas com Sax tocado por Zezo Maltês (músico de Ilhéus) que abrilhanta o álbum com essa parte orgânica entre tantos samples e kits de bateria.
As faixas mostram toda a vivência do MC que foi criado entre a cena de Rap e a cena de Skate local, andando pelas diversas ruas do litoral sul Baiano, sonhando, vivendo, produzindo e crescendo nesse lugar de tantas histórias, terra onde nasce Jorge Amado.
Inerente acumula assunto, assunto que é despejado no disco como uma chuva de informações, cheia de alma, revolta, paixão e malandragem. Como diz o próprio na faixa 02, “Bloco na Rua”, música que dá nome ao disco: “Tive que ter rua pra poder ter rima.” É como se o MC espelhasse o lugar em que vive, como se transcrevesse pro papel um misto de pesquisa, vivência e individualidade. É aí que surge o universo lírico da obra. Somamos, então, tudo isso ao repertório de pesquisa do artista, que cita diversas referências (sem soar clichê) e apresenta muita maturidade nas suas próprias batidas e timbres: As texturas sonoras, aqui, falam tanto quanto as palavras, é como um grito das ruas de Itabuna e as praias de Ilhéus. Um conto desse mundo que é o Sul da Bahia. Um Brasil que o Brasil não conhece. Um litoral que não é visto, cheio de beleza mas também de escombros. Indo do centro até as periferias, das casinhas até os prédios, do asfalto até o chão de terra. Vai das paredes riscadas, até a água do mar. É o sol da Bahia e a noite nas ruas. Uma história real que se assemelha ao ímpeto dos “Capitães da Areia”.
“Bloco na Rua” é o movimento da juventude pela liberdade e pela vida através do Rap e da cultura Hip-Hop. É uma obra individual mas também coletiva. É sobre alguém, mas também é sobre todos. Mesmo que o MC diga quase o tempo todo “Eu”, ele não fala por si, ele fala pelas pessoas e pelo lugar em que vive. Isso que é “Bloco na Rua”.
