Home Editorial Conheça as rappers que lutam pela libertação das mulheres em Cabul

Conheça as rappers que lutam pela libertação das mulheres em Cabul

por Dj Cortecertu

Quando as minas do rap brasileiro falam sobre a desigualdade e a violência machista que é naturalizada no seio do hip hop, muita gente torce o nariz e vem com aquele discurso de que tudo é “mimimi”. Agora imagine mulheres fazendo rap e desafiando os padrões vigentes em lugares onde a ditadura e a perseguição política fazem parte do cotidiano.

É o caso das rappers Soosan Firooz, Sonita Alizadeh e Paradise Sorouri ,do Afeganistão. Em reportagem do site Pacific Standard, o jornalista William Hochberg afirma, “o Taliban já não pode controlar as ondas de rádio, mas as mulheres jovens no Afeganistão ainda enfrentam a tortura ou a morte para fazer música.”

“Tente ser uma mulher no Afeganistão.” A frase é um desafio, lançado por Soosan Firooz, artista que desencadeia versos de hip-hop para a câmera. “Vocês [homens] nunca sentem vergonha de sua própria infidelidade, mas quando eu levanto minha voz, vocês cortam minha língua. Dá o fora! Você não me criou.”

Firooz recebeu ameaças de sequestro, ataques com ácido e morte – um dos vários motivos que seu pai tornou-se seu guarda-costas. Fãs e haters comentam em sua página do YouTube. Na rede, uma apoiadora exorta: “Mantenha-se na luta irmã”.

Sonita Alizadeh, outra MC que fala da situação das mulheres em Cabul, lançou o clipe “Brides for sale”, um protesto contra algo que sentiu na própria pele, sua família levou em consideração a ideia de vendê-la duas vezes, quando ela tinha 10 anos, e aos 16.

Atualmente vivendo nos EUA, Alizadeh afirma: “no Afeganistão, basta ser mulher e cantar, não importa o tema, fazer isso é ser muito corajosa”, diz Alizadeh. Paradise Sorouri concorda, “Todos as artistas que trabalham no Afeganistão hoje estão arriscando suas vidas para que possam abrir o caminho para outras mulheres”, comenta a rapper em entrevista ao site The Observer.

No mundo inteiro, o rap feminino traz rimas que vão além do espectro masculino e suas faixas de privilégios. O rap pode ser tudo, pode falar de qualquer coisa, mas não pode deixar de ser a voz de quem luta por igualdade.

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