Criado em 2019, o grupo Troca de Rima pode ter, apenas, três anos de estrada, mas a trajetória de seus integrantes se confunde com o próprio crescimento e evolução do rap no país. André Sagat, Caprieh, Eri Q.I., Zoio 3D e DJ Julião são remanescentes da década dos anos 90 e, ainda, têm muito a contribuir com a cultura hip hop. Prova disso, é o álbum “O Chamado”, que o grupo lança no dia 28 de janeiro pelo selo Humkuartu.
O novo trabalho tem a proposta de resgatar algumas texturas e elementos da essência do rap, que perderam força ao longo dos anos, principalmente no Brasil.
As dez faixas que compõem o álbum são ancoradas no Boom Bap (estilo que se destacou na Costa Leste durante a era de ouro do hip hop, do final dos anos 1980 ao início dos 1990). Gêneros como Reggae, R&B e o Dubstep completam a sonoridade.
“Gostamos muito da Golden Era do hip hop americano, protagonizada por Jurassic 5, Nas, Black Moon, Big L, Gang Starr, Rakim, Das EFX e tantos outros. As nossas faixas foram produzidas entre 82 e 94 BPM [batidas por minuto]”, explica André Sagat que também assina a produção de todas as faixas do álbum, exceto a faixa-título, “O Chamado”, que é assinada pelo DJ Comum.
Os singles “Sobrevivi”, “Olho no Lance” e, o mais recente que tem participação do cantor Diego Malane, “Eu Soul” já estão disponíveis nas plataformas digitais e, alguns, com videoclipes no YouTube. As faixas já lançadas dão uma prévia de como será o álbum: beats pesados, críticas sociais e autoestima para o povo periférico.
É possível notar, ainda, a presença do DJ Julião, com scratches e colagens, resgatando a cultura do primeiro elemento do hip hop. A rima de Eri Q.I. em “Eu Soul” deixa claro a preocupação do grupo com o movimento: “O rap sem DJ é o mesmo que o samba sem Almir Guineto.”
Foi em uma edição da festa “Original Raiz”, realizada por Michel MCH na zona leste de São Paulo no ano de 2019, que André Sagat, Caprieh, Eri Q.I., Zoio 3D e DJ Julião subiram no palco juntos pela primeira vez para o que seria uma única apresentação, como um grupo batizado de “Troca de Rimas”.
Durante o show, a sintonia entre os MCs e o DJ foi grande, pois já se conheciam de outros grupos e eventos. A partir desta amizade e, principalmente, a vontade generalizada de resgatar o rap Boom Bap dos anos 90 e 2000 fez com que o quinteto oficializasse o grupo Troca de Rima (desta vez, sem o plural). Por conta da pandemia, o grupo se resguardou e focou na produção à distância. “Um mandava o beat no grupo de whatsapp, a gente ouvia e cada um escrevia a sua parte e a gente ia trocando ideia”, explica Caprieh.
O resultado desta parceria, rendeu as dez faixas que estarão no álbum “O Chamado”. Com a flexibilização do plano São Paulo, o Troca de Rima se apresentou oficialmente pela primeira vez na Casa de Cultura Hip Hop Leste, onde o grupo pode testar as músicas ao vivo. Com o avanço da vacinação e o novo álbum, o grupo abre a agenda de 2022.
