terça-feira, junho 16, 2026

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Apresentação de Bad Bunny no Super Bowl tem um peso simbólico

Durante o show no intervalo do Super Bowl, um dos momentos mais esperados pelos americanos, o cantor Bad Bunny se apresentou com um repertório majoritariamente em espanhol (assista aqui). A apresentação do cantor porto-riquenho foi marcada por músicas de sucesso e demonstrações de celebração da cultura latina.

Em determinado momento, o cantor disse a frase repetida pelos apoiadores de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, “God bless America” (em tradução livre, Deus abençoe a América) e na sequência falou o nome de todos os países que fazem parte do continente americano.

Para Rose de Melo Rocha, professora de pós-graduação em Comunicação e Consumo da ESPM, o universo do entretenimento nunca foi apenas um local de monetização e de reiteração do status quo. “A cultura pop, a música, a televisão, o cinema sempre envolveram a produção e a disseminação de cultura. O entretenimento é um lugar central na disputa e na negociação de valores e de pautas coletivas.” Rose destaca que é uma produção cultural. “É uma manifestação cultural que constitui uma verdadeira arena pública. Um pouco disso se vê na repercussão da apresentação dele.”

Fred Lucio, antropólogo e professor de Comunicação e Publicidade da ESPM, pontua que a apresentação foi um show anticolonial. “Um show de crítica a todo o processo de iluminação que a Europa colocou sobre a América.”

Ao final da performance, após citar todos os países do continente americano, o cantor ergueu uma bola com a frase em inglês “Together we are America” – em tradução livre “juntos, somos a América”. Para Rose, a apresentação foi simbólica.

Fred Lucio aponta que Bad Bunny traz um posicionamento político contra um regime que simula uma democracia. “A gente sabe que a chamada democracia estadunidense, referência pro mundo, é bastante autoritária. Já foi inclusive questionada por um filósofo político francês lá no início do século XIX, o Alexis de Tocqueville.”

Após o show, Donald Trump publicou críticas ao cantor e disse que a performance foi “uma afronta à grandeza” dos Estados Unidos e um tapa na cara do país.

Para o professor, toda a apresentação de Bad Bunny foi importante, do ponto de vista político. Ela relembra outros artistas que também já se posicionaram em questões políticas, como a Madonna nos anos 80. “Ela não vai para esse lado, digamos, político e circunstancial. Mas ela tem um posicionamento político, na medida em que todo o posicionamento moral dos clipes também são, de certa maneira, um desafio a esse status quo de uma sociedade que se construiu nessa hegemonia de uma ideologia cristã, branca, colonial e europeia.”

Fontes: Rose de Melo Rocha, professora de pós-graduação em Comunicação e Consumo da ESPM, e Fred Lucio, professor de Comunicação e Publicidade da ESPM

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