Nesta quinta-feira, dia 12 de março, Amabbi apresenta ao público “Crisálida”, seu segundo álbum de estúdio e o trabalho mais profundo da sua trajetória até aqui. Depois de aquecer o público com os singles “Deu Fuga” e “Old School”, lançados no final de 2025, a artista entrega um projeto com 13 faixas que transitam entre R&B e rap, consolidando 2026 como o ano central da sua nova fase – ouça aqui.
Se em “Versos e Voos” (2024) Amabbi explorava um olhar mais lúdico e inspirado em referências externas, agora ela assume as rédeas da própria narrativa. “Crisálida” nasce como um livro aberto — mas não com um fim. É sobre o processo. “Quis trazer a crisálida porque, como eu disse, não é nem o início e nem o final, é o meio, sabe? Onde quase ninguém vê”, comenta.
A metáfora da metamorfose da borboleta traduz o momento de transição, autoconhecimento e transformação da artista. “O álbum marca uma transformação muito grande para mim. Eu quero cada vez mais escrever sobre assuntos que rodeiam a feminilidade da mulher, coisas que toda mulher pode se identificar”, explica.
Inspirada por podcasts como “Bom Dia, Obvious” e “Gostosas Também Choram”, leituras como “Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente” (Igor Pires), além de conversas entre mulheres em cafés e espaços íntimos, Amabbi se coloca como narradora de histórias que atravessam não só sua vida, mas a de muitas outras.
Na sonoridade, o álbum equilibra R&B (emocional, interno, sensível) e Rap (direto, cru, estrutural). “O Rap cria o casco. O R&B fica dentro da crisálida. O Rap são as rachaduras”, define.
O projeto conta com participações de Clara Lima, YOÙN, Freeda, Cynthia Luz, DAY LIMNS, Elana Dara e Clau, além de produções de GvsnoBeat, Modestto e Los Brasileros. Cada feat ocupa um lugar específico dentro do universo emocional do disco. Em “Do Que é Feito o Amor?”, com YOÙN, Amabbi buscou o R&B “puríssimo”. Já em “Mili, Mili”, com produção de Modestto, mergulha em ancestralidade e resistência feminina.
O álbum também atravessa dores e conflitos internos: traição, ghosting, luto, desilusão amorosa e ambição. Em “Alô? É Você?”, parceria com Elana Dara, a perda ganha contornos intensos. Já em faixas como “Goodbye” e “Old School”, a força vem da raiva transformada em posicionamento.
Visualmente, “Crisálida” reflete a transformação com cores densas, verde militar, couro e acessórios de peso, sem perder o caráter solar da artista.
Ao longo do álbum, Amabbi assume que não tem todas as respostas — e que essa é justamente a força do projeto. “Eu não sei o que eu vou ser em 2027. Talvez eu não saiba nem o que eu vou comer amanhã”. A honestidade atravessa como fio condutor: não é sobre estar pronta, é sobre estar em processo.
Dedicado às mulheres, “Crisálida” é um manifesto de transformação e conexão. “Quero desejar esse álbum especificamente para todas as mulheres do Brasil. Acredito que a gente vai conseguir se conectar muito em algumas situações”, conclui.
