O 3º Festmina — Festival Mulheres Independentes no Audiovisual — mostrou mais uma vez sua força enquanto espaço de celebração, resistência e visibilidade para filmes dirigidos por mulheres cis, trans e pessoas não cis que se reconheçam no gênero feminino. Realizado de 21 a 23 de novembro, no Conjunto Vera Cruz II, periferia de Goiânia, o festival reuniu sessões de cinema, debates, oficinas, apresentações artísticas e ações comunitárias totalmente gratuitas.
A edição foi organizada pela Pequi Roxo Produções, com parceria da Roch Design Produções, e contou com o apoio do Vera Cult Ponto de Cultura e do Instituto Catalize. Mesmo sem apoio de recursos públicos, o festival demonstrou vigor e criatividade: voluntárias receberam bolsas artesanais produzidas por empreendedoras do território, em uma ação que reforça o compromisso do Festmina com práticas sustentáveis e com a economia local.

A programação também contou com convidados e convidadas especiais, como Milena Ribeiro (diretora e roteirista de Levanta Regiane) e Carlyle Ávila (diretor de programação da TV Anhanguera). No domingo, o bate-papo sobre o projeto Maria da Penha nas Escolas, conduzido por Manoela Barbosa, aproximou o festival das discussões sobre direitos das mulheres, seguido de apresentação do Slam Reexistir, que encerrou a tarde com poesia e mobilização comunitária.

A cobertura fotográfica foi assinada por Thaysa Caetano — Foto com Alma, registrando a diversidade e a força das mulheres presentes. Além das mostras de filmes, o evento ofereceu o Mini Festmina, espaço infantil estruturado para que mães pudessem participar da programação de forma tranquila e acolhedora.
Uma edição que mobiliza, acolhe e resiste

O 3º Festmina reafirmou que o audiovisual produzido por mulheres é campo de potência estética, política e comunitária. Em um cenário desafiador, o festival demonstrou que, com autonomia, colaboração e organização comunitária, é possível entregar uma experiência cultural transformadora.
“O Festmina nasceu para abrir espaço — não só para exibir filmes, mas para criar vínculos, fortalecer redes e garantir que mulheres possam contar suas histórias. Esta edição provou que, quando a comunidade se une, o resultado é potência pura”, declara Patrícia Silva, idealizadora do Festmina e diretora da Pequi Roxo Produções.
Confira os filmes premiados

Os filmes premiados foram escolhidos por dois critérios distintos: Júri Oficial, formado pelas juradas Rochelle Silva e Jéssika Hannder, ambas profissionais de referência no audiovisual; e Júri Popular, definido pelos votos do público presente nas sessões.
Mostra Olhares Ancestrais
● Melhor Filme — Júri Oficial: Guardiãs de Mãe Dodô — Dir.: Nívia Uchôa
● Melhor Filme — Júri Popular: Akaîutĩ — Dir.: Sylara Silvério
Mostra Pequi Roxo
● Melhor Filme — Júri Oficial (empate): • Mulheres da Minha Terra — Dir.: Maria Anjos / • Fidele — Dir.: Yorrana Maia
● Menções Honrosas — Júri Oficial: • Que Deus o Tenha — Dir.: Ana Sifuentes e Maria Alice Rezende • Mulheres que abrem caminhos — Dir.: Pollyanna Marques Vaz
● Melhor Filme — Júri Popular: Não preciso do fim para chegar — Dir.: Lorrana Flores
Mostra Travessias
● Melhor Filme — Júri Oficial e Júri Popular: Logos — Dir.: Britney Federline
Mostra Pretas no Topo
● Melhor Filme — Júri Oficial: Herança Real — Dir.: Brisa Mendes
● Melhor Filme — Júri Popular: Mansos — Dir.: Juliana Segóvia
Mostra Sementes
● Melhor Filme — Júri Oficial: Aurora — Dir.: Bruna Lessa
● Melhor Filme — Júri Popular: A mensagem na garrafa — Dir.: Luana Ferreira
