Home Entrevistas O ZonaSuburbana trocou uma ideia com Slim Rimografia sobre a polêmica “Arte do Gueto”

O ZonaSuburbana trocou uma ideia com Slim Rimografia sobre a polêmica “Arte do Gueto”

por Dj Abraão

Na última quarta-feira (06), o rapper Slim Rimografia liberou o vídeo clipe da faixa “Arte do Gueto”. A música, que chegou nas plataformas de streaming no dia 17 de novembro, tomou um outro rumo após a exibição do áudio visual. Nas redes, muitos comentários sobre a letra e o styling feito pela rapper Lay.

Arte do Gueto” trouxe uma importante reflexão para cenário do rap e junto com ela surgiu uma grande polêmica. É por isto, que nós do ZonaSuburbana, resolvemos falar com Slim e saber mais sobre a faixa. Slim falou sobre apropriação cultural, apagamento de artistas negros e falou sobre seu projeto #SinGo.

Confira:

ZS: Sobre o trecho “O progresso do rap me lembra o congresso”. Pouco preto! Você acredita que existe uma falsa sensação de que os rappers negros estão ocupando espaços dentro do cenário musical?

Slim: Esta é minha visão olhando distante. Eu vejo muito disto, principalmente na mídia, existe um problema sério de distribuição. Vemos poucos pretos em várias paradas, poucos pretos em propagandas e no caso do rap, eu falo isto não necessariamente pela quantidade, existem muitos talentos no gueto, mas falo do poder mesmo. O poder não está na mão dos pretos, é só observar o congresso.

Slim Rimografia (Foto: Tiago Rocha )

ZS: Arte do gueto é sobre apropriação cultural?

Slim: Não é só uma questão de apropriação cultural só e vale lembrar que participar de uma cultura não necessariamente é se apropriar dela. O rap é um gênero musical mundial, existe uma cena muito forte na Coreia e eu os acompanho e isto não me incomoda. Então não é sobre brancos não fazerem rap. A questão é mais aprofundada. O rap é uma indústria que gera dinheiro e isto tem aumentado no Brasil, isto faz com que pessoas que detêm mais dinheiro queiram se inserir nelas sem entender qual é a essência do produto. Esta conduta apaga as pessoas que legitimaram o rap desde sua construção. É o que aconteceu com samba, o rock e o jazz.

ZS: O vídeo clipe teve bastante alcance, principalmente da nova geração. Você atribui isto a uma nova forma de trabalhar?

Fico feliz com o retorno, o rap é gênero que segue sendo atualizado, me sinto desta forma. O uso das tecnologias a nosso favor é importante também. Gosto de aproveitar tudo, não deixei de fazer meus boom baps, mas não me prendo a um ritmo só. É como um artista que escolhe usar mais cores em sua arte para ampliar os horizontes. É assim com a minha, se eu quero que minha música alcance o maior numero de público preciso me adaptar as novas tendências sem deixar de fazer o que eu gosto.

ZS: Andam dizendo que você voltou. O que acha disto?

Slim: (Risos). Eu acho engraçado quando ouço isto. Na real eu nunca parei de fazer música, mas algumas pessoas não tinham tanto contato com minha arte, então para algumas pessoas parece que eu fiquei um tempo sem fazer e agora eu voltei (risos). Mas não, sempre fiz muita música, tenho muita coisa guardada e tem muita coisa que eu não soltei também. Agora eu to numa fase de soltar isto pro mundão. É isto, fico feliz, voltando ou não a música não para.

ZS: É inevitável não perceber o uso de diferentes vozes na música. Você está buscando uma nova roupagem?

Slim: O meu trabalho atual é uma mescla de tudo, tem gente estranhando a voz na primeira parte de rima. Na real, quando eu voltei a escrever bastante coisa, um amigo meu muito próximo, Michel Onguer, grafiteiro disse que sentia saudade do jeito que eu rimava no primeiro disco, fiquei meio assim, disse que era uma voz anasalada, mas ele disse “que se dane, era muito louco e um monte de gente tentava copiar,. Após esta ideia entrei no estúdio e fui experimentando . O resultado foram o uso de 3 vozes, a que eu usava em 2000 voz aguda do Slim Kid, 2010 voz mais natural (Yin Yang) e 2017  a voz do meu alter ego, Mr. Dinamite, que tem influencias jamaicanas. Minha parada é não se prender a um estereótipo. Minha arte é livre para eu criar como eu quiser.

ZS: O gueto é majoritariamente preto, certo? Qual sugestão você daria para os rappers periféricos que estão lutando para que o “Din” volte para eles?

Slim: A galera precisa se manter fazendo música. Tem uma coisa que eu falo que é importante, é a mesma coisa do futebol, muita gente joga, poucos possuem a disciplina necessária para ser profissional. Eu sempre fiquei em casa fazendo freestyle sozinho, treinando. Eu vi uma entrevista do Bob Burnquist que onde ele disse que no dia que ele não está andando muito, ele está pelo menos em cima do skate empurrando ele e isto o ajuda a manter em contato para que o skate não se torne algo estranho. É a mesma coisa com a rima pra mim, todo dia tenho contato com minha arte, fazendo meus versos ou pensando em alguma coisa para incluir no meu trabalho. Então é isto, precisa se manter persistente e em dia com seu trampo. Tem dias que parece que a parada não vai e eu entendo a dificuldade que é colocar um trampo na rua, tudo é tão rápido que não dá tempo nem de assimilarem a quantidade de produto que saiu em um só dia. Então você se manter relevante e focado é o diferencial nisto tudo. É muito triste eu ver meus heróis de música sem produzir algo. Porra! É uma parada foda. Por isto, sigam firme, invistam o que puderem no trampo, façam com qualidade, busquem profissionais para te ajudarem e confiem.

ZS: Fala um pouco mais sobre o projeto #Singo.

Slim: O #Singo é uma fase nova. Eu sempre pensava em discos e pensava numa temática, mas quando foi em Agosto em pensei em fazer música pra caralho, toda semana soltar algo. Eu tenho 30 músicas prontas e comecei a fazer sem me preocupar com tema, estilo, com nada. Se eu gostasse do beat, encaixava a música e boa. Mas ai repensei a logística e resolvi soltar em singles. O projeto single é esta demanda de músicas que eu tenho, mas que quero que saia com um plano estratégico. Sin – Single, Go – agora, anda, bora. É uma sequencia de singles que eu quero que as pessoas conheçam o mais rápido possível. Tem muita coisa para chegar e quero agradecer todos que contribuíram, ao publico que tem manifestado uma recepção positiva da música Vamos que vamos! Quem tá curtindo fortalece  o projeto, segue nas redes, compartilha e é nois! Yaw! Yaw!

Se você tá de chapéu e não sabe sobre o que estamos falando. Assista o videoclipe acima e sinta o peso da caneta.

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