Home Editorial O emcee Angolano Intelektu revela a ditadura na cultura Hip Hop do país

O emcee Angolano Intelektu revela a ditadura na cultura Hip Hop do país

por Arthur Venturi Vasen

Eu acredito que não é um tema que as pessoas falam sobre, mas sentem isso. Muitas pessoas por falta de conhecimento ou falta de coragem pra falar sobre o assunto”.

Assim Intelektu, um dos veteranos do cenário Rap Angolano, começa seu vídeo revelando aspectos perturbadores da cultura Hip Hop no país.

Definindo ditadura como “a centralização do poder numa elite ou indivíduos”, diz que os valores da ostentação, preponderância e do egocentrismo destroem mais e mais a cultura Hip Hop e centralizam o poder na mão de uma “elite do Hip Hop”. Citando nomes de peso como MC Kappa, Kid MC, DJ Samurai, Big Nelo e Kool Klever, o MC Intelektu aponta que essas pessoas são incapazes de receber críticas e que agem de forma muito diferente na realidade daquilo que dizem em suas letras e afirma que nenhum desses rappers possui caráter, ética ou moral.

Intelektu aponta o quanto vários rappers ganham fama e se sentem prepotentes, superiores aos outros. “Estamos a viver em uma África do Sul onde existe uma supremacia branca ou numa Angola onde existe um José Eduardo Sntos que pensa que ele é o ditador e o país é dele e ele poder fazer o país como ele quiser e quando ele quiser. Não, não pode. O Hip Hop é a liberdade de expressão. É a voz das pessoas. As pessoas devem falar quando acham que há algo que está errado”.

De acordo com Intelektu, as divisões que existem no Hip Hop Angolano são reflexos das separações que existem em Angola e na África como um todo. Assim como existem pessoas brancas que se sentem superiores às negras e políticos que se sentem superiores, muita gente do Hip Hop se sente superior aos outros.

Na prática, depois de tantos anos rimando sobre as dificuldades de morar em cidades angolanas, como a capital Luanda, muitos rappers acabaram fazendo sucesso nos anos 2000 e passaram a viver só com o sustento do trabalho musical. E, nisso, os rappers que enriqueceram criaram um sistema de poder em que, ao fazer shows por exemplo, um rapper chamava apenas seus colegas também famosos e estes só se convidavam entre si. Sempre com um mesmo “cardápio musical”, os rappers menos conhecidos foram deixados de lado e esquecidos, o que torna para os rappers da própria Luanda por exemplo  um trabalho muito mais árduo conquistar algum sucesso profissional. “Isso é ditadura, mano! Isso é ditadura!”.

Intelektu também cita o programa do MC Kappa na rádio. Se propondo a divulgar o melhor do rap, Kappa acaba divulgando vários artistas portugueses e brasileiros, enquanto que mostra apenas os rappers angolanos que estão em seu círculo de amigos. Nisso, o sucesso deles se retro-alimenta e fecha ainda mais o cerco para os rappers iniciantes.

O emcee acaba o vídeo falando sobre o poder das ruas. São as ruas que fizeram cada rapper angolano famoso e não a grande mídia. Assim, Intelektu pede para os rapper se lembrarem disso.

Sem dúvidas, a fala do emcee faz pensar em várias similaridades que temos no nosso cenário Hip Hop comparativamente ao cenário angolano.

Confira o vídeo na íntegra:

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